quinta-feira, 16 de junho de 2011

LARANJEIRA




Talvez seja a vontade desesperadora de desabotoar os botões das nuvens e despir o céu até brotar os olhos em outra galáxia. Talvez apenas a necessidade de encarar o mundo como uma roda gigante de espelhos circenses. Não sei: ilusão. Li na bula de hoje que preciso de ar mais vezes ao dia, em doses moderadas. Ainda não sei traduzir as árvores sem as folhas desfiguradas de minha laranjeira. Amanhã, amanhã e depois de amanhã...

terça-feira, 7 de junho de 2011


Dizem que a madrugada é um bom lugar para se escrever, mas discordo completamente. A começar com o "dizem", pois na realidade sou eu quem digo isto a mim mesma com frequência e, por conseguinte, como sou do tipo lunar, nunca acredito piamente nas minhas armadilhas mentais - elementar, minha cara traquitana rebelde. A continuar, penso que escrever não é bom e nem é lugar - talvez um vulgar despejo de palavras imediatas e surtadas de uma percepção romântica e catastrófica de coisa alguma presente em região inexistente. Por fim, durante esta madrugada enquanto escrevo, concluo: escrever é jorrar patéticas contradições aos ouvidos mudos dos olhos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011


ÁRIDO VENTRE - BOCA SECA - CLIMA

A FLOR DE ESPINHOS CAMINHA

O CÉU ESCORRE EM CORES BORBULHANTES

SECO O OLHO - PISCA

SERÁ O FIM OU APENAS COMEÇO?

O SOLO AGUARDA A PÉTALA

OUTRO SOL PENETRA A TERRA - SECA

DECOMPOR DA CASCA VAZIA