quarta-feira, 21 de setembro de 2011

PSIU!




Não podemos expressar nossas opiniões sobre sexo, não podemos sentir amor, não podemos usar ou “ousar” falar sobre drogas e não podemos experimentar outros aromas que não aqueles que nos façam degustar o sabor fétido desta civilização atrasada de um século - passado. Não podemos. E não podemos por quê?
Animais se reproduzem com a intensidade pulsante de seus instintos, mas a Miss Universo quer ser um pinguim: eles passam a vida fiéis ao “parceiro”. Um garoto de doze anos, que passou uma vida deplorável entre pessoas deploráveis do mesmo modo, é detido. Mas aqueles que tiveram o berço dourado – jóia rara neste planeta – nos calam com um salário mínimo e alguns canais televisivos.
Não podemos falar, já que as bocas precisam apenas de alimentos remuneráveis e felicidade travestida de ignorância. Não podemos viver, já que o sonho da casa própria é garantia de morrer em um hospital particular.
Não podemos? Não, não podemos. Não queremos. Somos acomodados e disfarçadamente infelizes.
Seria a hora de partir para outras galáxias. Não em busca de semelhantes (ah!, ego humano!), mas em busca de algo novo, transcendental. Mas não podemos, temos medo de discos voadores.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

ENTRE AMOR E VENTO




Abri a janela, fazia frio, dois ou doze pássaros cantavam e algumas folhas acenavam. Senti a brisa tocar a parede das maçãs do rosto da porta - nada - apenas alguns pingos nos olhos das telhas. A cortina dançava feliz, a cortina, empoeirada. Aroma de Julhos, Robertos, Andrés. Claves de sol ardendo nos lençóis quadrados, brilho fosco - focos de luz em tecido antigo e sem pele. Alguns peixes cantando fora do aquário, maremoto de conchas sem eco, toalhas ao chão. Um marinheiro na linha do último vagão. Quanto vento fazia naquele dia luminoso! “Acabou”, disseram-me.

Começou.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

PASSAGEM EM MÃOS




Ah!, Vida, seja um pouco mais difícil. Tire tudo de nós e nos transforme em cubos de gelo. Faça um carnaval com nossas almas e pulmões, tranque as portas dos bancos, apodreça as maçãs de ontem e de hoje, jogue fora as cordas do violão e deixe o piano tão desafinado quanto as bocas de hoje. Foda tudo! Rasgue a carteira de habilitação do ar e queime todo o ocidente. Crucifique os amores, passe cordas nas genitálias, lobotomize os pensamentos, faça das cores um extenso aborrecimento, cimente as lascas de excitação, os templos, as árvores, os índios e os indigentes. Foda tudo ao cubo! Foda tudo ao quadrado: COMO toda esta encubação. Eu te engulo, Vida, de uma maneira tão perversa e romântica quanto aquela que te escreve. O medo de existir já não mora mais nesta caverna, não escuta gritos de inconfidência e tampouco adoece nesta normalidade digna de pena (de morte). Tudo. Tudo. Tudo pouco perto de todo o resto - resto de um todo que agora é tudo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ELA




Contudo e por tudo, tenho uma intensa felicidade incrustada em minha essência e absoluta energia que, concluo, adquiri no nascimento. Já não entro mais em conflitos alheios e são poucas as vezes que me chateio com atitudes que eu não teria. Não espero dos outros, não espero os outros e, por fim, não espero. Estou aprendendo a amar de um jeito totalmente doentio e paradoxal - sofro como Amélia e sonho como Alice. Já não me importa o que dizem, o que acham, o que falam: já não me importa quase nada. Preciso de dinheiro, mas não mais do que de ar. Penso, penso sobre tudo aquilo que penso e penso com todo o meu corpo. Morro de desejos até que não sejam mais desejos e dou lugar a inúmeros outros. Sou apaixonada, este é meu estado natural. Sou intensa, densa, pesada, mas estou aprendendo a voar como uma andorinha dourada. Tenho muita fé, fé que não necessita de imagens ou altares. Acredito em mim ao mesmo tempo em que desacredito: vou me buscando... Tenho tido muitas alegrias e ressacas. Tenho tido muito amor, muito amor. Tenho tido tudo aquilo que não posso agarrar, tudo aquilo que realmente importa. Tenho tido lindos olhos, mas não tão bonitos quanto aquilo que posso ver. Tenho tido um mundo que não físico e sonhos que não inalcançáveis. Sou um corpo feito de nuvens, ilhas, cores, luas, peixes, lares. Sou um mundo que não cabe neste, mas me encaixo perfeitamente. Tenho tido vida em vida e um lindo cachorro. Contudo e por tudo, há uma felicidade incrustada em minha essência e uma intensa energia...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

NAU




Quando anoitece, amanhece outro sol, noutro lugar do corpo. Dilúvio solar. E no distante horizonte, a inatingível mente dos amantes alcança águas repletas de sereias barbadas e proféticas ondas douradas. Caravelas em forma de estrelas improvisam luminosos céus no içar das bandeiras. O Universo Absoluto renasce em seda e nudez. Embarcar e deslizar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

ÀS AS




Suportavelmente acordo. Dois cigarros por fumar, centenas de frases feitas e vulcânicos pensamentos. Insuportavelmente te escrevo enquanto te deito no travesseiro florido. Quanto amor no pensamento das suaves cinzas do não esperar. O peito já não é peito, é o desejo latente de morar na casa da árvore da felicidade. Te imagino, venero te imaginar! Coloco em minha alma bigodes de Leite Ninho ,e, assim, sou criança inventiva outra vez, suportando você em mim da mais magnifica forma criada pelo universo. E vou vivendo... Minha vida em nossos infinitos momentos, minha nômade vida em seus magnetizantes eixos. Te deixo, meu bem, como me deixo pelos cantos do quarto azul. Quero você e te preciso como preciso de meus grandes olhos. Te vejo, longe, tão perto, tão perto, tão perto...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

UM




Fogos de artifício no lugar das palavras, nada além de luz e estrondosos sussurros nos seios. Pernas contraídas entre a gôndola rosada e o suor borbulhante do esmalte que te ataca. Dialeto de rios desaguando na candura dos poros, despindo excessos na janela das línguas de outono. Respirar no distrair dos retalhos da última trajetória de galáxias em ebulição. Arrebatadoras cores silenciando amor enquanto me amo em você. Mais.

DENTRO DO SEU



Meio minuto após devorar um pote de pêssegos em calda, desconfiou que houvesse se esquecido no bolso interno do paletó. Procurou-se pela casa, espalhando migalhas de suas guloseimas favoritas por todo o carpete marrom, mas o esforço apenas rendeu intensa dor naquela carcaça indigente.
Não costumava deixar-se, apenas flutuava durante alguns momentos e logo voltava à solidão habitual de seu ego-abismo. Mas desta vez, a avidez louca pertencente apenas ao amor (e aos gansos do Leste) havia lhe colocado em seu devido lugar: o paletó.
Pensou em comprar fogos de artifício em forma de cabide, naftalina, máquinas de secar e tudo aquilo que poderia atrair aquele largo casaco, mas a escuridão do armário (lugar onde provavelmente ele estaria) não permitiria qualquer tipo de manifesto.
Enfim, conformou-se! Aquele paletó era quente e caudaloso, negro e luminoso, como um pessegueiro aveludado em plena Avenida Paulista.

domingo, 17 de julho de 2011

DE MAR TE






Já não há o que dizer, a língua entrou para a história dos últimos vinte minutos. Eu, o laranja apitando entre os ouvidos. Você, ah!, você e suas retinas brilhando diante da doceria central! Uma colher de chá e a fumaça do último cometa - fogueira acesa pela boca de uma aveludada borboleta sedenta por caninos amarelados. A lua nascendo como o vermelho ácido da taça de vinho barato - outro gole, outra lua, outra vida que não a do tempo. O céu: cobertor de seda. A Terra: estranho paraíso místico de formigas.



De Marte o azul é quase verde.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

LARANJEIRA




Talvez seja a vontade desesperadora de desabotoar os botões das nuvens e despir o céu até brotar os olhos em outra galáxia. Talvez apenas a necessidade de encarar o mundo como uma roda gigante de espelhos circenses. Não sei: ilusão. Li na bula de hoje que preciso de ar mais vezes ao dia, em doses moderadas. Ainda não sei traduzir as árvores sem as folhas desfiguradas de minha laranjeira. Amanhã, amanhã e depois de amanhã...

terça-feira, 7 de junho de 2011


Dizem que a madrugada é um bom lugar para se escrever, mas discordo completamente. A começar com o "dizem", pois na realidade sou eu quem digo isto a mim mesma com frequência e, por conseguinte, como sou do tipo lunar, nunca acredito piamente nas minhas armadilhas mentais - elementar, minha cara traquitana rebelde. A continuar, penso que escrever não é bom e nem é lugar - talvez um vulgar despejo de palavras imediatas e surtadas de uma percepção romântica e catastrófica de coisa alguma presente em região inexistente. Por fim, durante esta madrugada enquanto escrevo, concluo: escrever é jorrar patéticas contradições aos ouvidos mudos dos olhos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011


ÁRIDO VENTRE - BOCA SECA - CLIMA

A FLOR DE ESPINHOS CAMINHA

O CÉU ESCORRE EM CORES BORBULHANTES

SECO O OLHO - PISCA

SERÁ O FIM OU APENAS COMEÇO?

O SOLO AGUARDA A PÉTALA

OUTRO SOL PENETRA A TERRA - SECA

DECOMPOR DA CASCA VAZIA

segunda-feira, 30 de maio de 2011

CURVA




Como se as curvas dos caminhos fossem em linha reta, lá estavam os corpos prontos para a batalha adiada por anos. As armas - peitos abertos e cobertos de história - gritavam ao som do pulso quente de juventude bem vivida. Quem dera tivéssemos binóculos naquela noite, poderíamos olhar nossos dedos se entrelaçando nestes loucos dias de hoje. Mas o tempo é fiel e cruel - para nossa sorte. E sem saber que teríamos que esperar, esperamos - cada qual com sua mania e pintura de guerra - até que a espiral cansou e parou de rodar. Vertigem: quase enlouquecemos e esquecemos de sonhar.
O fim do túnel é o começo da luz: na próxima curva pode segurar em minha mão.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

SER






A vida, ou o acaso que é a percepção de estar vivo: o mais real sonho do agora que já é instante passado. O mergulho nas profundezas do futuro: este ser distante até dos magos e da própria natureza – nós. Olhar sem decorar as cores – elas mudam. Varrer os conceitos da mente para cima do tapete e assoprar o que é bom e ruim – tudo é imaginação. Voar. Cair. Procurar sem necessariamente ter que achar. Envolver o peito na liberdade que é o amor. Beijar o céu enquanto as mãos deslizam pelas nuvens. Jorrar. Desejar. Admirar o silêncio da felicidade. Acontecer. Olhar o caminho e entender que a única verdade é que não existe verdade.

CHUVA





Culpem-me, podem me culpar! Joguem-me aos leões, estes que me engolem a cada instante por apenas não pertencer ao mundo que eles conhecem – ferozes dentes que esmagam sem sentir a delicadeza de margarida que é o amor. O corpo sente medo, mas a mente flui serena. Ser o outro, dói. Não quero destruir o castelo que criei, quero subir na torre e voar para o universo. Amei como um dragão, como não sei como amei. Talvez a solidão seja o escudo, mas não esqueço as nuvens – eu vivo por elas.
Ainda chove em minhas mãos.

A GRUTA DO IMPOSSÍVEL




Virei-me para a gruta imóvel de segredos mágicos: nenhum rastro daquilo que fui. Apenas algumas flores esculpidas em pedra bruta, o desenho torto de um longo rio sem água ou margem e a seda rara de uma libélula branca. Nada – nenhuma fresta da esperança infantil de outrora. Raios solares não ousavam espionar e o ar desesperado corria em eterna fuga.
Era uma vez o lugar mais incrível que já existiu, mas ninguém soube – ninguém viu.

quarta-feira, 11 de maio de 2011


o ponteiro entre os segundos navega em paz seguindo a ilusória calmaria colorida do tempo branco e largo de espaço algum

terça-feira, 10 de maio de 2011

ESTRANHA PAIXÃO PLATÔNICA PELA SOLIDÃO


O espelho reflete um olhar conhecido e distante de alguém, a cortina revela o vento certamente destinado ao rosto rosado, as mãos de veludo no veludo da poltrona da sala repleta de ar, o eco do piano cheio de memórias musicais perdidas por noites feitas de taças e cristal, a vontade secreta de morar em quartos de hotéis espalhados pelo universo, conhecer alguém com meu nome e me casar com ela, um prato, uma toalha e a necessidade louca de despir todos os segredos pelo corredor. Eu, um turbilhão de sentimentos em silêncio, ela, a solidão falante e certeira - um banho quente em um só corpo. Enquanto me esparramo pela cama, me conheço enquanto me apaixono. Outra vez.



Mas solidão gosta de ser só.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

POENTE




Te vejo longe, longe como poderia ser um longe além das palavras. E sem trilhas ou pistas de João e Maria, aceno, dispersando seus passos por debaixo de meus cílios. Nossos filhos nunca descerão dos céus para nos ver. Ah, só Deus sabe o quanto é difícil entender como as coisas são! Deixo um pedaço de mim no seu bolso da camisa e levo um resquício de nós dois no frio na barriga que é o soar do seu nome. Só Deus sabe como é difícil entender como as coisas são, mas debaixo deste sol que faz agora, é assim que deve ser.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O LIVRO DO CORPO





Quando abrir os olhos e aqueles raios por entre a cortina dourarem caminho para o dia, meu corpo estará ali, entre a cama e um pedaço do lençol do dia anterior. E se olhar bem de perto, onde eu sinta o respirar de tua vida, poderá ler-me como livro novo e sem capa. Por entre as curvas, coloridas figuras e espaços em branco: tramas, loucuras, passados e futuros diante de suas retinas. No virar das páginas, um virar do avesso. No terminar o interminável, o batom de adeus por entre seus dedos do até agora. Pode ler-me sem medo, decifra-me linha por linha e torturar-me com minhas próprias verdades, mas o livro, este poema entregue aos dias e noites, nunca será seu pela eternidade. Embora o que agora leia seja eterno enquanto dure suas retinas...

terça-feira, 26 de abril de 2011

REPELENTE




Pela quarta vez, em uma quarta dimensão, meus olhos puderam ver aquilo que não pode ser dito em um mundo onde tudo é "História" ditada, peças de automóveis e amores trancados dentro de um telhado repleto de cacos de vidro. Para a vida? Repelente.

terça-feira, 19 de abril de 2011

EU SENHORITA




Eu não disse nada sobre mim, absolutamente! Eu nem sei do eu de mim. E ai de mim se sei sem saber! Quanto a ti, senhorita, devo dizer que tens lábios lindos e com sabor raro, mas as palavras que os abre e fecha não pousam bem aos cantos dos ouvidos. É uma pena! Mas a pena maior é a de saber que já está com os pés na maria fumaça do até breve. Isto significa o adeus do não saber de mim. Rezo e peço aos ventos celestiais que tua saia rendada deixe de rasgar os corações e que a fé no pote de açúcar seja mais doce quando chá. Por ora, enquanto pulsa o relógio do último instante daquilo que passa e fica quando se vai, te empresto minha alma para te acalmar. Feche os olhos e, baixo, pense alto além do além. Sei que moro no silêncio do não sei quem sou, mas quem sabe o sábio é mesmo não saber.

COR DE COR




A vida corre rápido como um raio e faz chover quando menos se espera. Vivo molhada enquanto planejo a fuga de ontem. Pergunto aos meus olhos se eles têm cor, ou se é a cor que os faz olhos? Sou um projeto de luz e sombra entre o ponteiro e a última badalada. Alguém já alcançou o eco? Ouvi uma boca falando o mais lindo e imperfeito contrário - inúmeras vezes. Sou o maremoto e o marinheiro, só. Eu não sei amar. Desaprendi a língua do pólen quando comecei a florescer. Na idosa poltrona de veludo, ainda pousam duas asas a voar. Mas eu, a idéia quente de um ponto branco e louco, escolhe as tintas de um amanhã sem paleta, de uma montanha sem altura e de uma corda sem pescoço.

domingo, 17 de abril de 2011

NABOPOLASSAR NÃO SABE VOAR




Dizem que Nabopolassar ainda está vagando por Babel em busca da felicidade perdida, e disto eu não tenho dúvidas. Certa vez fui buscá-lo para que conhecesse os caminhos que levam à 'Morada da Neve', mas ele não aguentou a luz do sol e correu de volta à Torre como um guepardo faminto.
As paredes de Nabopolassar não são feitas de tijolos ou pedras, mas são muito mais difíceis de derrubar. Nabopolassar sofre do "tédio mortal da imortalidade".


...

NABOPOLASSAR, BABEL E A CEGUEIRA




Mudei-me para a Torre de Babel assim que completei quinze anos de idade e logo pude sentir o cheiro da liberdade pela primeira vez: amargo e doce, intenso e misterioso. Dividia o espaço com muitas outras pessoas que pareciam correr contra o vento e lutar contra as mais novas vinte e quatro horas.
No andar de cima, mais precisamente na porta cento e treze, morava um tocador de tambores chamado Nabopolassar. Não era bonito, nem alto, nem sábio, mas tinha seu charme, talvez por não ter nenhum. Nos casamos dois dias depois de nos conhecermos, e, em quarenta e oito horas, Nabopolassar parecia um Deus saído do Eufrates.
Eu estava feliz e acreditava em liberdade. Mesmo nunca saindo de dentro da Torre, sentia naquelas paredes constantemente renovadas que atingiria o céu em breve, apenas com o esforço dos blocos de pedra. Mas as coisas foram tomando rumos diferentes...
Nabopolassar convenceu-me em fazer parte de um grupo de descolados chamado 'hedonistas'. A intensidade do prazer com que vivíamos era deliciosa e inexplicável. Alcançávamos o céu a todo instante, e ríamos, e caíamos, e tocávamos à beira do Tigre durante seguidas noites.
Passados alguns anos, a vida continuava a mesma, mas eu já não estava mais casada. Nabopolassar e eu não nos entendíamos e estávamos sempre entregues aos nossos costumes hedonistas. Nossa união não fazia mais sentido, não sentíamos mais nada pelo outro, ou pelos outros, e nem mesmo sentíamos.
Chorei durante dias enquanto procurava o lugar onde havia deixado minha intensa e surpreendente felicidade. Procurei em cada canto, em cada fresta, mesa ou porta: nada!
Resolvi, por fim, que me mudaria para a 'Morada da Neve'. Deste momento em diante, começava minha verdadeira vida rumo ao despertar...



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sábado, 16 de abril de 2011

DESEQUILIBRISTA




Depois de uma longa fila de perguntas feitas pelo sapo de cartola amarela, resolvi me tornar desequilibrista de cogumelos silvestres. Aquele anfíbio arregalou os olhos com surpresa felina e perguntou-me se eu sabia mesmo flutuar como um dente de leão. Ri. Se eu tivesse mais uma asa ele não ousaria se dirigir a mim com aquela ironia típica dos sapos de coaxar empinado. Enfim. Saí com rebolar de vagalume, levando nas mãos meu ticket fluorescente: finalmente eu teria meu primeiro dia de folga! Durante muito tempo trabalhei duro, na rede, pensando e pensando e pensando. Meu avô nunca havia me dito como era difícil ganhar idéias para sobreviver. De qualquer maneira, eu já estava rica e precisava de meu tempo de folga. Desequilibrista de cogumelos silvestres, que maravilha de férias permanentes.


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quinta-feira, 14 de abril de 2011

VOCÊ VIU?




Eu não sei. Não acredito em aviões, só em discos voadores! Mas eu vi, tinha asas e luzes e estava além das nuvens que dançavam algum tipo de dança de eucalipto. Bem, ao menos foi isto que as ouvi dizendo "dança de eucalipto". Que dança! Elas sabem mesmo como mexer as gotículas. Mas o objeto (se objeto) que ziguezagueava acima, era um tipo de engenhoca transcendendal. Não tinha forma exata, nem som e nem cor definida. Ah, mas que presença de elefante! Pensei em chamar umas das minhas amigas bolhas de sabão para investigar, mas elas estavam ocupadas brincando de estourar noutro lugar. Também liguei para uma estrela, mas era dia e ela dormia como ostra. Eu estava um pouco distante do chão, acho que uns onze centímetros e meio, usava meias de açúcar refinado que ganhei da minha avó. Estiquei os braços e gritei baixinho para que ninguém ouvisse. Deu certo! As luzes não me ouviram e logo apontaram para meus olhos. Pude ver um claro de um escuro tão agudo que sorri escancarando os dentes. Depois disto, pouco me importava o que era aquilo (se aquilo). Eu tinha as nuvens e as meias. Verdade, caros caramujos, eu flutuava...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A BOCA



Dentro de um refúgio daquilo que não sou, sem carta debaixo das mangas ou truques de maquiagem, caminho lentamente sem tecidos ou idéias pelo corpo, e, com a coragem de uma formiga carregando uma planta carnívora, guardo entre os dedos um terço de sussurros de outros carnavais fora de época. A facilidade em esquecer me faz lembrar todos os dias de escovar os dentes. Ah, feliz a boca que cala enquanto aguarda o beijo tagarela...

LOUCURA PROVOCADA




Foi loucura provocada durante muitos anos. Foi. Insanidade no fim do copo, sede de camelo, derrapadas no trajeto das linhas cruzadas, plantação de caramelos azuis, degustação de cogumelos adocicados. A imagem? Perdida em um dos lados do espelho. Em qual dos lados? Esqueci.
Hoje, enquanto arranco a blusa, abraço a loucura e beijo sua boca intensamente no mesmo instante em que ela me engole. Penso que seria melhor nos separarmos, talvez, quem sabe? De longe eu poderia vê-la melhor. Desconfio que ela tenha os meus olhos...

quinta-feira, 7 de abril de 2011





Viajando alto em meu balão de cores. Pode subir se fechar os olhos bem abertos...

domingo, 3 de abril de 2011






Acariciando a orelha direita do meu cachorro, penso como sou feliz. Não por ter tudo o que desejo, mas por desejar. Não por ser quem sou, mas por ser. Minha mão, o esmalte azul derrapando das unhas, a carícia, o vento em todo lugar. Durante um extenso segundo entre o nada e o tão pouco, eis que surge a deliciosa idéia da vida. Talvez na caverna em que certa vez instaurei minhas pernas esteja muitas das infinitas respostas, eu não sei, nem sei mesmo as perguntas. Pela primeira vez sozinha, eu e meus lindos segredos na novidade em fazer companhia a mim mesma e a meus amores e medos. Observar o quadro pintado pelas impacientes mãos de Pollock e por mim consentido, ter morado e namorado esta imagem algumas vezes e entender o motivo. A felicidade escondida nos sorrisos da alma que sonha pelos cantos e pelas trasbordantes bordas. Outro amanhã no relógio de bolso, outra vontade de permanecer vivo. Sei quem amo e sei o que quero, mas dos quereres o maior deles é pregar sorrisos nas nuvens e ser feliz durante as tempestades.

sábado, 2 de abril de 2011



Dias como hoje deitam na dura cama incoerente das palavras, com ar de sabedoria adolescente, enquanto dormem plantados na inocência dos sentidos, sugando devaneios sobre bebês de salto alto na busca cega e florida pela felicidade.


Quantas voltas teremos que dar em nosso próprio eixo?


Dias como hoje imploram fuga e mais sorrisos.


Tão perdida quanto um rastro no deserto, penso para onde quero deixar futuras pegadas.


Em dias como hoje, imersa em um turbilhão de agulhas afiadas, concluo: NÃO ESTOU AQUI!


Dias como hoje, entre marte e a morte...


LEMBRETE (para dias como hoje):

Estar mais perto de mim onde quer que eu esteja.

terça-feira, 29 de março de 2011






Cabe a mim o doce sonho de amor inalcançável, que não finda, perdura por sequentes vidas até se dissolver na longínqua consciência do desapego. Brincar com sonhos reais que arrastam o peito e os olhos até torturantes ilhas de abraços mentais, fingindo não ver o tempo não agarrável dos segundos gritantes de uma suave lembrança que ainda suspira. Nas velhas cartas, o desejo ardente de encontrar a última palavra no instante em que surge o carteiro. Observar pássaros e correr por entre cachos de uva com o vestido de seda azul feito sob encomenda para os olhos de alguém. Cabe a mim não caber em lugar algum, mas em mim, onde tudo cabe e vive na tranquila paciência do agora para sempre.

domingo, 27 de março de 2011






No além disto, acima daquilo, entre aqui e acolá...





Que lindas histórias contei enquanto dava passos largos no tempo. Que grandes segredos esqueci enquanto amarrava o cadarço do tênis surrado. Nos intervalos da programação, quantos espasmos. A falta de ar quando procurava encontrar a respiração que nunca me deixou. Timbres de voz no silêncio. Ângulos da mesma cena reproduzindo o agora de tantas vezes. O segundo de uma claquete sem nome. Fantasias no carnaval do quarto escuro. Mãos e dedos e mãos e dedos e anéis que se foram. Afinação de um violão sem cordas - trilha sonora de uma solidão cheia de olhos. Palavras exalando um amor que procurava enquanto ele descansava dentro. Grãos de intensidade no virar da ampulheta de emoções. Incontáveis vidas em uma só noite. Uma noite por tantos dias. Um momento eterno, até o aqui que ainda conheço. Um agarrar de mãos abertas. Deixar ir sentindo a raiz penetrar fundo pelo umbigo que divido. Querer sem precisar ser querido. Um olhar que segue além da retina. Palavras que ficam, idéias que vão. Desejos que sorriem e se tornam outros desejos. A mesma coisa, os mesmos tênis. Outras histórias.





Chega o ponto em que a linha não é mais linha. Os fins, os meios e o começo são um só, ou simplesmente um todo cheio de vazio. O ponto não é mais ponto, mas uma idéia de um instante que chega e se vai em uma existência que talvez não exista exatamente por existir. Eu, uma invisível consciência de mim. O amor no ato frágil de ser uma força sem nome. Paciência. Confiança. Sentir e aceitar o que se sente. Sentir muito, mas não sentir muito por isto. Cair e rir. Levantar e rir. Fazer dos extremos malabares de conhecimento. A visão como aliada. Respirar. Deixar o medo vir e ir embora no fluxo dos rios de pensamento. Repousar a mente em água cristalina. Continuar. A eternidade na palma da mão aberta. As asas de uma flor de nós.

sábado, 19 de março de 2011

DO QUE EU SEI






Ouvindo os bordões do quarto ao lado, duas mulheres que se amam e desabotoam seus botões em sussurros. O amor é mesmo lindo. Que seja o peito ou a alma, são as mãos que deslizam delicadamente entre as horas das curvas. Vontades são sinônimo de intensidade. Costurando o ontem no tecido que comprei para amanhã, uma seda vinda de lugar algum, a agulha feita de sonhos e os nós de realidade que foge ao tato. Onde se esconde o começo de uma jardineira? Em pensar naquilo que penso, esqueço e lembro outra vez. O começo dos jardins de mim, desconheço, mas sei do que são feitos. Com as pernas entre o travesseiro e o lençol, o branco se misturando entre as cores do quarto, um quadro que sorri em silêncio, os gritos do disco que gira em torno dos meus sentidos. Sinto muito pela estrada intocável do agora, sinto. Vou voando acima do telhado, com as asas de um coelho e sua cartola, vejo e céu mais de perto. Não faz frio nem calor. Amarelo-você no futuro de dias atrás. Eu, aqui, no passado da semana que se apressa. O gemido do quarto ao lado é feito ruídos de portas que se abrem e se fecham no brincar do vento. Por enquanto é isto que sei: as nuvens chovem e voltam a ser nuvens...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Palavras EM Silêncio




Devo constatar que existe uma falta de palavras neste período, o que me parece talvez ser o acúmulo de muitas delas, mas sem nenhuma resolução. No fim, o que pode ser concluído é que sou feita de muitas palavras (que podem hibernar quando assim desejam).
Na minha última viagem, antes de decolar até pousar, escrevi um texto que roubou quase todas as páginas de um caderno. Muitas coisas foram colocadas em pauta e até agora não tive "coragem" de reler. Estou esperando o tempo certo para reatar minha intensa relação com as palavras, e creio que algum carrilhão em minha mente avisará quando a hora chegar.
Por enquanto vou cultivando meus jardins das sensações, na incessante espera por flores cintilantes e chuvas de meteoros negros...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Palavras são sons que o silêncio produz...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Das Cores da Chuva






Ouvindo a chuva de um dos lado da janela,
Gotinhas delicadas sussurrando para onde vão.
Seria a chuva uma casquinha do universo,
Ou será água errante na contramão?
Quantos passos e postes ali ao lado,
E eu aqui gota por gota.
A vida flui entre rios de memória,
Outra agora, poça solta.
E no vai e vem das tropas de folhas,
Aquele calafrio de outrora...
Das copas o leite dos copos de flores,
Cores que passam e não voltam.

A Terra do Peixe Espada






Não entendia como funcionavam as coisas na Terra do Peixe Espada. Tive que procurar uma concha e telefonar para a Dona Arraia pedindo uns conselhos, mas ela logo disse “Escute aqui, moleca, você vê as coisas com os teus olhos, e essas duas esferas enormes não sabem o quanto precisam aprender a enxergar. Não seja tola, vire-se!” Achei que ela soltaria um “babaca”, mas não foi preciso: estava subentendido. Logo em seguida, tive um surto de pânico, como se o Atlântico fosse eu e nada mais: nenhuma cor, som, estrela do mar, nada de nadica de nada. O que fazer? Resolvi marcar um horário de emergência e fui nadando até o consultório do Doutor Polvofelder. Quando lá cheguei, o Doutor me esperava com os tentáculos abertos e aquele sorriso que só ele tem (decerto ele poderia ser mais feio e menos charmoso, mas não é o caso). Contei-lhe que, na Terra do Peixe Espada, era proibido comer sushi, mas que eu havia me apaixonado por um sushimarlin (que também não comia peixe de modo algum). Disse-lhe que as coisas estavam complicadas, afinal, eu teria que aprender a nadar com as próprias nadadeiras para longe de lá (mas meu coração saltava pela boca e mergulhava entre as Algas Marias do quintal do Marlin). “Como posso costurar este maluco deste coração? Tem linha por aqui?” O Doutor, sempre muito bem humorado, ria das minhas perguntas e dizia “Deixe estar, deixe estar! Siga seu coração, sofra e seja feliz com ele. Estas linhas de pesca aqui são para as Jubarte!” “Este Polvo diz isto porque consegue abraçar o mundo com esta protuberância toda!”, pensava. E lá estava eu, sozinha outra vez, já com o coração sabe-se lá namorando qual das Algas Marias do Marlin. Que rumo eu poderia tomar? Fui nadando borboleta e sem destino, pensando nesta vida aquática de cada dia. “Poxa, eu queria me salvar do maremoto!” Foi então que percebi que estava na superfície, entre marolas, relembrando algumas músicas que fizeram história no Pacífico em 1970. Mergulhei um pouco para respirar e, de repente, lá estava ele, Marlin! “Ah, exímio nadador aquele lá, sem sombra de dúvidas! E que amarelo ofuscante!” Pois é, meus olhos brilhavam ao vê-lo! “Nem ligo que ele não coma sushi, eu gosto dele deste jeito! Ah, como gosto! E devo ser louca, pensaria Dona Arraia, mas eu nem ligo para o que ela pensa! Ah, nem ligo!” Percebi que ele me olhava, e então disfarcei – não parece, mas sou tímida como um ouriço! Fiquei nervosa – ele sabe como me deixar nervosa – e sem saber o que fazer, sem querer, soltei três bolhas com meus pensamentos (isto sempre acontece...). A primeira, titubeou, mas ao fim do curto percurso, estourou bem no meio da calda do Marlin “Gosto tanto de você!” Senti meu rosto explodir de vergonha, mas logo percebi que a outra bolha também se aproximava, desta vez de suas escamas traseiras “Quero que você seja muito feliz!” Nossa, a superfície do mar é um péssimo lugar para se esconder! “Salve-me, Tritão!” A terceira, e última, foi descendo e descendo, até que passou por ele sem que o mesmo percebesse “Ufa!!!” Nadei rapidamente até um bote salva vidas que pairava ao léu entre meu planeta e o céu. Pulei. Sentei-me bem, debaixo das estrelas (e acima delas). Sabia que ali meu ar duraria pouco, mas muitas vezes alguns minutos são uma eternidade. Pensei no Marlin, tive certeza de que ele guardaria aquelas bolhas – elas eram dele. Pensei em como poderia entender a vida na Terra do Peixe Espada. Resolvi fazer aulas com um tubarão nascido no Ganges para aprimorar minhas técnicas de respiração. A vida naquele lugar é cheia de surpresas e corações fugitivos...
Ops! Soltei outra bolha...

DO OUTRO LADO DE CÁ






Nesta noite, entre a insônia e inúmeras tentativas de nocauteá-la, tive intermináveis sonhos. A sorte é que sempre me lembro de todos – e devo confessar que eles me dizem muito sobre o dia seguinte. Quando os compreendo por “completo” (nunca é por completo), me preparo com todas as forças para o que virá (bom ou não tão bom, tanto faz). Às vezes, não todas, os sonhos também dizem sobre aquilo que estou passando (ou passei), me conectando comigo dentro de imagens surreais, mas absolutamente coerentes. Aí está a mágica: uma tênue e invisível linha que faz a união entre distintos mundos - sonhar é o que posso entender de mais próximo da magia.

Um dos sonhos de hoje (o mais nítido de todos ou o que mais me interessou), trazia consigo uma folha em branco em minhas mãos, e eu, nua, no alto de uma montanha avermelhada (sem vegetação alguma), lia frases e palavras desconexas, dispersas naquele papel. Surpreendi-me ao ler “MATERIALIZAÇÃO DO SONHO”. Lembro-me de ter pensado “vou escrever sobre isto!” – pois é, tenho essa consciência naquela outra vida (talvez mais que nesta). Mas o fato é que escrever sobre isto exige um pensamento longo e voador até as conclusões finais (que nunca são conclusões e muito menos finais). Mas esta tal “materialização do sonho” chamou minha atenção, realmente. A primeira sensação que tive foi de beleza, depois senti felicidade, então me veio os devaneios e as questões - vez ou outra é bom não pensar muito e, como dizem, “deixar rolar”, mas esta técnica ainda é muito distante do que conheço.

Seria isto um presságio? Ou será que é por este motivo que agora estou aqui cheia de formas, flores e perguntas? Não seria eu mesma a “materialização do sonho”? No fim das contas, o ato de sonhar é um lindo modo de se reinventar. Mas eu, eterna sonhadora, ainda aguardo a materialização do sonho, mesmo sabendo que ela já está aqui.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

CINEASTA A SETE CHAVES






Comprei uma caixa de chicletes de morango e decidi que queria ver um filme. Fui até a locadora e comecei a vasculhar as prateleiras. Sempre vou nas mesmas (ou na mesma), mas desta vez eu não sabia ao certo o que meu íntimo queria assistir. Escutei um som que saiu de dentro do meu ouvido: passos de sapatos de salto em um chão especificamente de mármore. Pronto, eu queria um filme com este som. As imagens foram surgindo aos poucos, frias, gélidas, ambiente monástico, espartilhos, chaves enormes e pesadas (adoro chaves antigas), lareiras, tranças, trancas, homens de cabelos até os ombros... Por um instante fiquei em dúvida se queria ver um filme ou estar nele. Logo depois tive certeza que queria mesmo é estar nele. Enfim, procurei entre as caixinhas de plástico um lugar como aquele, onde encontraria aquelas pessoas e aquele som de corredor comprido. Passei por vários filmes que pareciam me vender tal sensação, mas nenhum que fosse mais interessante que a situação impregnada em minha imaginação. Voltei ao carro com as mãos vazias. Qual seria mesmo a graça de um filme, se ele já estava passando pela minha cabeça com imagem nítida e até cheiro? Nenhuma. Deste modo já estou entretida por horas, entrando por passagens secretas, jardins intermináveis e corredores misteriosos. Estes filmes, definitivamnete, são os melhores. Pipoquinha?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

OÁSIS NO QUASAR






Na galáxio do 'Sim'
O sinal do quasar
Centro de mim
Astro a pulsar

Nas mãos, o céu
Ao chão, o véu
Os olhos nus
Os anos, luz

O complexo ao fim
Sem nexo no radar
Cometas pelo jardim
Céticos ao mar

Os pés ao léu
Na mente, o réu
Desejos em zoom
(In) vento algum

Pactos, cactos
Telecomunicação
Rastros, mastros
Adaptação

Factos, actos
Adivinhação
Fractus, tactus
Alucinação



Não há dúvidas, ele está aqui...