
Não podemos expressar nossas opiniões sobre sexo, não podemos sentir amor, não podemos usar ou “ousar” falar sobre drogas e não podemos experimentar outros aromas que não aqueles que nos façam degustar o sabor fétido desta civilização atrasada de um século - passado. Não podemos. E não podemos por quê?
Animais se reproduzem com a intensidade pulsante de seus instintos, mas a Miss Universo quer ser um pinguim: eles passam a vida fiéis ao “parceiro”. Um garoto de doze anos, que passou uma vida deplorável entre pessoas deploráveis do mesmo modo, é detido. Mas aqueles que tiveram o berço dourado – jóia rara neste planeta – nos calam com um salário mínimo e alguns canais televisivos.
Não podemos falar, já que as bocas precisam apenas de alimentos remuneráveis e felicidade travestida de ignorância. Não podemos viver, já que o sonho da casa própria é garantia de morrer em um hospital particular.
Não podemos? Não, não podemos. Não queremos. Somos acomodados e disfarçadamente infelizes.
Seria a hora de partir para outras galáxias. Não em busca de semelhantes (ah!, ego humano!), mas em busca de algo novo, transcendental. Mas não podemos, temos medo de discos voadores.


