
Não sei se meu coração está dançando na melodia certa, menos sei qual o ritmo ou se há harmonia entre as notas tão bem tocadas para meus brincos. Tenho vivido momentos felizes, conversas intermináveis, olhares apaixonados, um gostar raro, mas não sei se sei caetanear – se sei, ainda não sei – e isto tudo faz parte da franqueza de nós: tudo é dito e sabido o tempo todo em que esquecemos o tempo de tudo. Um violão no canto do quarto lilás esconde as cascatas de velas, mas pelas manhãs, conta um pouco dos segredos das diferentes alturas da lua com a ajuda da delicadeza de dedos antigos – lindos, não nego. Rede, discos, tapete, jardim, geladeira, gelo, copo – coisas compactas no pacto de permanecer em silêncio dentro dos sussurros da gaveta do criado mudo. Sou criança, mulher, sou o sossego do cacheado que reflete em mim, sou o tudo que invento, mas apenas dentro do encanto daquele mundinho brando e peculiar em que criamos composições de risos fáceis.
Devo esquecer... Devo esquecer o que não mora na memória – amanheceu esquecido naquele lugar encantado. Fiz de mim um lugar, mas meu lugar está em mim e em algum outro planeta do espaço sideral. Preciso me lançar ao céu neste curto espaço de tempo, deixando a rede para seus pés e o violão para seus discos. Confesso um “agradeço” em voz alta e antes de voar sambalanço um Vinícius para que escutem as almofadas daquele sofá verde e feio que tanto adora. Sei que sabe o que digo, disse mesmo que eu estava alada ao seu lado – mas eu não estava! Naquele nosso fim (de mundo), permaneci fiel aos ponteiros que prometemos quebrar pra eu te alcançar em algum distante dia.
Obrigada, o meu trem já está no trilho, e nesta linha do infinito, em algum ponto, sempre vou encontrar a casa em que tentei caetanear amor, mas deixei letras de amor para caetane-ar.