
Enquanto olhava aquela imagem, penetrava dentro dela, como se não soubesse onde começavam os olhos e terminavam os contornos de suas paredes delicadamente desenhadas. Enquanto dançava entre luz e sombra, lia palavras caladas saindo de uma chuva de meteoros coloridos de uma plantação de uvas - frutos - palavras - línguas daquela região macia. Enquanto tocava o sol, sentia o calor de raios brancos misturando-se com a transparência dos cinco (mil) sentidos das nuvens serenas de um céu de cavalos-marinhos de cristal. Enquanto abria asas entre déjà vu e realidades paralelamente horizontais, fazia o rosto de saturno girar na espiral de uma concha de sonhos lilás. Enquanto pairava em ondas incontroláveis de um oceano de fluidos flamejantes, embarcava em marolas ternas de um peito azul pulsante. Enquanto embriagava-me de líquidos labiais, avistava o poente de um novelo de arco-íris enrolar montanhas de um oásis astral. Enquanto traduzia quereres de uma nave espacial (especial), colava fios de cabelo no suor de antenas nuas no topo de uma pirâmide - pirante. Enquanto dizia "sim, muito", entendia infinitamente a existência de uma pluma colorida em meus sentidos. Enquanto envolvia segredos em meu maior segredo, descobria o universo de saúvas e leões, de mãos e pulsos, de árvores e flores, de planícies, de veludos, de esmaltes e de “enquantos”...
















































