terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sim Muito




Enquanto olhava aquela imagem, penetrava dentro dela, como se não soubesse onde começavam os olhos e terminavam os contornos de suas paredes delicadamente desenhadas. Enquanto dançava entre luz e sombra, lia palavras caladas saindo de uma chuva de meteoros coloridos de uma plantação de uvas - frutos - palavras - línguas daquela região macia. Enquanto tocava o sol, sentia o calor de raios brancos misturando-se com a transparência dos cinco (mil) sentidos das nuvens serenas de um céu de cavalos-marinhos de cristal. Enquanto abria asas entre déjà vu e realidades paralelamente horizontais, fazia o rosto de saturno girar na espiral de uma concha de sonhos lilás. Enquanto pairava em ondas incontroláveis de um oceano de fluidos flamejantes, embarcava em marolas ternas de um peito azul pulsante. Enquanto embriagava-me de líquidos labiais, avistava o poente de um novelo de arco-íris enrolar montanhas de um oásis astral. Enquanto traduzia quereres de uma nave espacial (especial), colava fios de cabelo no suor de antenas nuas no topo de uma pirâmide - pirante. Enquanto dizia "sim, muito", entendia infinitamente a existência de uma pluma colorida em meus sentidos. Enquanto envolvia segredos em meu maior segredo, descobria o universo de saúvas e leões, de mãos e pulsos, de árvores e flores, de planícies, de veludos, de esmaltes e de “enquantos”...

Em Nós




Nas mãos, um certo aroma diferente lembra-me lençóis de rosas, café fresco e roupas pelo chão. Nos olhos, um lápis borrado de desejos e imagens de dois olhos - tão perto. Nos ouvidos, vestígios de respiração e latidos de cachorros sabidos. No sofá, um chapéu gesticulando, calças apertadas e meias aflitas. No caminho, saltos apressados e cadarços desamarrados - pressa, pressa, pressa. No relógio, ponteiros em fuga. Na cadeira, fome e palavras se conectando em diferentes timbres. Nos cômodos, nas praças e travessas, rostos embaçados : Havia mesmo alguém? Não sei. Nos ombros, lábios. Nas pernas, pernas. Nos braços, braços. No rosto, rosto. Nos pontos, pontos. No norte, sul. No sul, um norte - desnorteante. No planeta, o planeta. Em mim, você - em nós.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Onde Estiver




Entre um lugar e outro, a distância é completamente relativa - um longe tão perto, ou um perto tão longe.


Agora, encontro suas mãos entre meus dedos...

Fluídos




Como entender sentimentos? Não são apenas para serem sentidos? Explicar o inexplicável caminho incessante do peito ao cérebro, do cérebro ao peito... Pensar sobre amor é apenas amar: é sentir fundo e esquecer do mundo. Descrever sensações tão mais lindas quando no silêncio do corpo se espalham, planejar deixar de sentir ou calcular o tempo de uma sensação, fórmulas e formas para controlar aquilo que nos controla como imã, tentar se enganar, fugir, correr, se esconder - o castelo está incrustado na pele, encantado, enorme e translúcido. A lucidez dos sentidos e sentimentos me apaixona, não há nada mais lúcido que estar em contato com aquilo que nos faz estar vivos. Amor não é uma equação matemática, é um rio fluindo e espalhando reações químicas pelas margens da alma. Cuidar dos sentimentos é colocá-los em um barco ao sereno, sob a luz do luar - vai, deixa ir, deixa estar... Estrelas, cometas, nuvens - tudo cientificamente banalizado - observar o movimento do universo com os olhos é como cegos tentando enxergar na escuridão de uma bolha. Tudo apenas faz sentido quando refletimos um pouco de nós no brilho daquilo que existe dentro e fora do nosso ser.

Na Minha Na Sua




É sempre assim, ouço batidas e corro para abrir a porta: ela sempre está lá, sorridente e colorida - a Vontade. E se esconde em algum ponto de uma linha imaginária entre o laranja e o violeta de um jardim de nuvens. Sussurra lentamente o que deseja e me envolve em um laço transparente de pensamentos secretos. Visitante, gosta de repousar ao meu lado nos dias de frio e acaricia minhas mãos nas manhãs de intenso sol furta-cor. Ela, só ela sabe como combinamos. Confidente, sempre ali, inteligente, sabe como penetrar nos impulsos das eternas insones artérias. A Vontade, sem firula ou atos circenses, diz com claras palavras o que pousa em sua mente - "Ah!, se todas as Vontades fossem assim...". Nominal. Intencional. Surreal. Animal. A Vontade é de uma insanidade quase sã e sempre tem destino certo: Uma porta na minha


Cas(c)a.

domingo, 28 de novembro de 2010

Go-lhe




Garrafas são cheias de vazio – pilhas fabricadas em Veneza – uma gôndola desgovernada, marolas de “amore mio” numa correnteza embriagada. Garrafas são túmulos de gênios da madrugada, ondas esquecidas em lábios tóxicos, linhas líquidas de instantes, resto de bitucas avermelhadas na cinza de uma idéia deixada em taças. Garrafas são vidros de vitrines sedentas. Garrafas são coleções de “eu não lembro” juvenil. Garrafas são apenas garrafas, degustando, pouco a pouco, a senhora sede de saber se o futuro pode cambalear.

Querer




Timidez e nudez: qual a pro-porção? Uma perna revestida de tecidos desejando o maravilhoso mundo do tórax, uma luva em suas mãos - nuas. Nuances acanhadas entre cílios piscantes - querendo, querendo. Desejos acariciando a paciência de seios em uma curva pensante - distante: co-lado. Direção a quatro mãos, câmbio, túneis, destino - sem destino. Palavras espaçadas, ritmo - sem ritmo. O batente do peito acelerado, travesseiros atravessando braços calados: ao lado, você. Uma fonte. Uma ponte. Uma árvore. Uma cama. Uma linha. Uma sorte: querer.

sábado, 27 de novembro de 2010

k g b

Parece que eu previa – campainha. Mais um vinho – companhia.
Não posso dizer muito.
Melhor dizer nada.

Relativa-idade




Psico-Adélia: Hum! Fiu-fiu!

Mãe: Vou sair! Não sei se volto ou que horas volto!

Psico-Adélia: Ainda bem! Aproveita!

Mãe: E você?

Psico-Adélia: Estou aqui.

Mãe: Com livro, sábado, esta hora?

Psico-Adélia: Acha melhor sem ele?

Mãe: Não! Só comentei...

Psico-Adélia: Então, faz um favor? Abre a garrafa de vinho que coloquei na geladeira?

Mãe: Vinho? Velha!

Psico-Adélia: Vinho! Nova...

Mãe: Tó!

Psico-Adélia: Ainda bem que está envelhecido...






Aventuras cotidianas de Psico-Adélia.

Como Seria?




Como daríamos bem juntos. Como daríamos – o bem. Como faríamos gritante diferença em nosso universo – tão disperso. Como seria bom acordar entre sorrisos lisos, camas brancas, toalhas prontas, café na mesa, idéias novas – tudo tão nosso. Como flores abraçariam melhor, nuvens dançariam na sala - de estar, estar. Como árvores cresceriam no quintal em meio a grama de cristal. Como o vento seria amigo do cobertor – uma rede para pescar pensamentos: um no outro, um do outro. Como os livros fariam sentido, mil palavras em uma, sol: nós. Navios fazendo fumaça na cozinha, sua mão na minha: colher. Como seria bom dividir um último damasco na geladeira repleta de sucos – de uva. Como o som do nosso silêncio musical seria pleno... Como seria bom. Como seria...

TUDO




Tudo
Me
Lembra
Tudo
Em
Tudo
De
Você

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Que Marca





...


"Jovem soldado, boca aberta, a testa nua,
Banhando a nuca em frescas águas azuis,
Dorme estendido e ali sobre a relva flutua,
Frágil, no leito verde onde chove luz."


...



A.Rimbaud

O Que Marca




"No regato corre uma canção


ou


O dia se desdobrou como uma toalha branca


ou


O mundo esconde-se num saco"



P.Reverdy

O Que Marca




POEMINHO DO CONTRA

"Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!"



M.Quintana

O Que Marca




"Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos."


O.Wilde

O Que Marca




"Encantado jardim da minha infância,
aonde a minh'alma aprendeu;
a música do Longe e o ritmo da Distância
que a tua voz marítima lhe deu;
místico órgão cujo além se esfuma
no além do Oceano, e onde a maresia
ameiga e dissolve em bruma,
e em penumbra de nave, a luz do dia."


A.Lopes Vieira

O Que Marca




"Assim como falham as palavras quando querem exprimir
qualquer pensamento, assim falham os pensamentos
quando querem exprimir qualquer realidade."


A.Caeiro

O Que Marca





"Veja o mundo num grão de areia,
veja o céu em um campo florido,
guarde o infinito na palma da mão,
e a eternidade em uma hora de vida!"


W.Blake

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Monólogo Tântrico do Sexo Oposto




Quem abria o guarda-chuva da cachoeira do oeste? Mãos, pontos, minuciosas gotículas de memória, fluidos incandescentes, pensamentos indecentes, raspas de um avassalador avalanche de palavras bem colocadas, um cavalo celta no céu - penetrando, alado, de lado - uma curva entre o nascer do sol e o poente, "ticket" feito de melados de abelha e silêncio de rosas. Uma passagem para um, uma viagem a dois, tramas bem sucedidas se envolvendo em constante ápice noturno (diurno), imagens fixadas dentro de olhos que piscam sem parar, falta de ar. O branco no branco, a idéia na idéia, o corpo no corpo. Um em dois. Dois ou um.

Alguém




Alguém está constantemente no meu planetário marinho.


Ondas...


Pshhhhhh!

Compro Omisso




Tenho um compromisso inadiável e exatamente por esta razão o adiarei. Não assinei nenhum tratado e se tratando de contratos eu não sei nem pegar em uma caneta de pena. Minha cabeça espera chuva e não problemas, o atrito em questão é apenas o dos meus neurônios comigo mesma. Não tenho vínculos sufocantes - a não ser nas noites em que meu "sofá" preferido parece tão atraente (hum!). Pessoas gritam como hienas sarcásticas nos meus ouvidos, e eu? Converso com borboletas em arranha-céus tortos. Tudo bem não conseguir sonhar alto, mas construir um rancho em um fundo pesadelo "trash" me deprime (pois é, me deprimo pelos alheios, fato.). Tordesilhas ou um planeta inteiro? Claro, para mim não há tratados, nunca haverá!- Escolho o planeta, o universo e até mesmo o inverso de tudo. Falem a língua que lhes for mais conveniente, serpenteiem sobre cascatas (não as de dinheiro), transpirem por sentir calor, calem-se se assim for melhor... Tudo aquilo que lhe ensinaram é um equívoco transcendental.
Alguém escuta a flauta? Ela tem todas as notas que desejamos...

Saber ou Não Saber?





Durante a prova, no último dia de aula de uma respectiva matéria (hoje)...

Professor: Depois que você acabar de responder as questões, pode ir até a minha mesa que eu preciso falar com você?

Vinte minutos depois...

Psico-Adélia: Oi, professor! Pode falar.

Puxou rapidamente uma cadeira e pediu que sentasse.

Professor: Então...

Derrubou o celular, os papéis, a caneta e avermelhou-se como um caqui maduro!

Psico-Adélia: Quer ajuda? (risos)

Professor: Não, está tudo bem. Posso te fazer uma pergunta?

Psico-Adélia: Ué, claro!

Professor: Você tem namorado?

Pausa! Estranhamento! (risos)

Psico-Adélia: Não!

Professor: Eu gostei muito de conhecer você. Será que podemos tomar uma café algum dia desses?

Psico-Adélia: O senhor também é um ótimo professor, podemos conversar quando quiser, mas vou ter que fazer uma viagem muito longa assim que acabar o semestre.

Professor: Vai para onde?

Psico-Adélia: Morar em uma tribo. É uma pesquisa sobre o comportamento humano.

Professor: Mas, e amanhã? Essa semana?

Psico-Adélia: Estarei meditando. Nem café eu poderei tomar!

Professor: Suco?

Psico-Adélia: Só bebo água quando medito.

Professor: Nunca vi alguém neste curso, meditando!

Psico-Adélia: É porque o senhor ainda não entendeu que vez ou outra entramos em outros cursos paralelamente.

Professor: Mas você é minha melhor aluna. Como pode estar assim fora do ar?

Psico-Adélia: Professor, fora do ar não sou eu que estou. Faço o que precisa ser feito e...

Professor: E é só isso?

Psico-Adélia: Se fazer o que precisa ser feito é só isso, então é "só isso".

Professor: Então é melhor eu corrigir sua prova?

Psico-Adélia: Sim. Depois de corrigir o senhor.

Psico-Adélia saca da bolsa um estojo de batom com um espelho e entrega ao professor.

Psico-Adélia: Pronto! Agora é só retocar os reflexos.






Aventuras cotidianas de Psico-Adélia.

Cultivando Meu Jardim...



...de abraços.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Entre Pétalas e Mãos



Passageiros, recomenda-se o uso de música nesta viagem:
http://www.youtube.com/watch?v=VHk6clzLeMM


Uma porta de madeira maciça saltava aos olhos, imensa, não chegava ao céu porque lá estava, solene, imponente, guardiã das embarcações de nuvens lilás. Um piscar de olhos de verdade era a chave, e então ela se abriu, como se abrisse um espacate suave de bailarina. Não havia ruídos e nenhum sinal de vida humana, era apenas um abrir em meio a gotas de ar dançantes. Uma árvore de pétalas de rosa surgiu, azul, tão azul quanto os beijos de uma sereia. As pétalas eram feitas da seda mais pura e revelavam os segredos daqueles que as tocavam. Os dedos, hipnotizados, desejavam tateá-las, uma a uma, e envolver-se naquela transparência embriagante. O corpo já flutuava e seguia o curso do vento, um manto violeta fazia rodopiar, tão leve. Tudo lembrava os sonhos celestiais. As mãos, enfim, tocaram uma das pétalas, tão macia, tão delicada, seu aroma misturava amor com lichias silvestres. Uma imagem colocou-se à frente, pontos coloridos começaram a juntar-se e transformar-se em esfinges, no topo de uma delas - a única feita de cristal - dormia um relógio sem ponteiros ou números, era apenas um relógio de sol, mas o sol em seu centro jamais se punha. Que brilho! Raios e tempestades solares abraçavam as retinas e, carinhosamente, as aquecia. O tempo havia parado, as nuvens lilás agora faziam parte de um infinito sorriso de fluídos cintilantes. Nada mais podia alcançar tal sensação. Um lugar, um lugar, um lugar onde a vida valsava livre, onde as correntes eram feitas de ar, onde as nuvens exalavam eternidade e onde as árvores guardavam os mais lindos segredos entre mãos e pétalas de rosa.

Planeta dos Quadrados




Psico-Adélia: Realmente, eu acho quase todas as pessoas sem graça.

Psiquiatra: Mas qual o problema delas?

Psico-Adélia: Ai é que está, não há problemas, está tudo sempre "na boa, sacou?". Cansei desse casamento entre bocas e frases feitas. É sempre tudo igual.

Psiquiatra: E você é diferente?

Psico-Adélia: Ao menos tenho problemas e não tenho nenhum problema em questioná-los. Não tenho esse medo inerente em dizer que as coisas estão fora do lugar. Estão e pronto, vamos arrumar.

Psiquiatra: E qual o problema de agora?

Psico-Adélia: Me comunicar com pessoas que são sempre a metade do que podem e falam o dobro do que são.

Psiquiatra: Essa é sua visão?

Psico-Adélia: Não, minha audição. De longe todo mundo é uma gracinha.

Psiquiatra: Já pensou o que os outros pensam da sua postura perante tudo?

Psico-Adélia: Pensei.

Psiquiatra: E?

Psico-Adélia: E eu acho que cada um pensa o que quiser de quem quiser. Também já pensei que todas as pessoas podem achar as outras sem graça e vivem sorrindo amarelo pelos cantos.

Psiquiatra: Pois bem! E a qual conclusão você chega nesse momento?

Psico-Adélia: Que daqui a pouco sai o último vôo pra Plutão.

Psiquiatra: Boa viagem!

Psico-Adélia: Igualmente, doutor. Carona?





Aventuras cotidianas de Psico-Adélia.

Produtório





Pratarias práticas prateando o aparador polido, pães de páprica salpicando o paladar, panelas de pedra polida aprimorando prazeres, pratos, pequenos pares de plumas alpinistas, paralelepípedos paralelamente postos, paisagens, penetrantes pensamentos plausíveis, preces, paixões pairando peles proporcionalmente propícias à práticas impraticáveis, papéis, pálidos palcos apáticos, palmas, prismas apressados aparentemente pirados, portas aprimorando passagens, pregos, preços, praxes, paradoxos, príncipes puramente patéticos, poesia, população, pornografia, desaparecimento, aplausos. Pausa.

Ela




Ela me liga cantando - ela adora cantar:

"Perto ou longe estarás, dentro do meu coração..."

Fico muda, sinto um aperto físico no peito, lembro da expressão de seu rosto sereno e seu olhar de eterna apaixonada (pela vida, pelo dia, pelo universo). Ela sabe delicadamente como me encantar:

"Vem me ver! Estou com tantas saudades, meu amor!"

Ela conhece melhor que ninguém minha sensibilidade, toma cuidado com cada vírgula de seus pensamentos antes de, bem devagar, pronunciar os sons calmos que saltam de sua sábia boca:

"Eu sempre estou e estarei com você onde quer que seja."

Preocupada, como se passasse a mão nos meus cabelos, levemente, suavemente, ternamente, para tentar explicar ao coração de menina que tudo é eterno:

"Eu te amo, viu?"

Me seguro, me seguro firme em qualquer cipó ao meu lado, aperto os dedos, travo os olhos, um sentimento me inunda, transborda, o peito aperta mais e mais e é tudo extremamente incontrolável. Ela sabe de tudo, ela sabe, tudo:

"Um beijo com sabor de morango!"

Eu poderia desabar com mais uma palavra . Ela sabe, ela sabe, ela sabe de tudo. Respondo engasgada de felicidade e saudades das palavras que não escutarei mais algum dia:

"Vó, eu te amo muito. Ainda não estou preparada para viver sem você por aqui!"

Ela diz "eu estou aqui, minha querida", ela sabe de tudo, "eu estou aqui e também preciso de você".

Que sorte eu tenho! Que sorte eu tenho de ser amada por uma clara e linda fábrica de sonhos!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Fórmula do Ser Humano




Foi-se o tempo em que se acreditava piamente em deuses e seus poderes. Hoje em dia quem ordena o planeta é a Senhora Televisão e seu esposo, Pitanguy. Para alcançar a plenitude e felicidade eterna é preciso apenas duas coisas, acreditem, apenas duas coisas: Uma bunda e um Reality Show. Pronto!!! Lá está você, entre flashes, paparazzi, festas de amigos íntimos e câmeras (não, não são as de 'câmaras' de gás da inesquecível primeira edição do Big Brother, são câmeras de alguma ilustríssima emissora de TV - 'pronuncie em inglês, por favor!' - querendo flagrar os sapatos do cachorro do seu vizinho que, inacreditavelmente, podem ser da coleção de mês passado!). Se antes pecado era roubar, hoje vai para o inferno aquele que usar roupa repetida - "Olha que absurdo!", enfatizou Narcisa (124) com sua objetividade quase nada ululante, no último domingo (69). Engordar ou emagrecer demais também é imperdoável (gente!!!): ou você está obeso, ou tem anorexia - doença mais charmosa da última década! Nunca vi alguém dizer que na Etiópia a população é de anoréxicos, essa doença só existe no dicionário dos ricos (e famosos, claro).
Mas como saber se você já está pronto para transcender? A resposta é simples:
Primeiro se case com um jogador de futebol ou com algum magnata careca e nanico da televisão. Se você é homem, a melhor opção são as mulheres mais maduras que estão à sua disposição - mas lembre-se, uma vez por semana elas irão te trocar pelo todo poderoso Pitanguy (felizmente isto é parte desta novíssima e super descolada religião do momento). Mas se você é homem ou mulher (ou dois em um), a opção mais fácil e prazerosa é entrar em um Reality Show. Ali é tudo muito simples, você passa uns três meses em um tipo de campo (de concentração) e é submetido a vários testes para que um país inteiro veja como você é inteligentíssimo (claro, se você está lá dentro é por único e exclusivo mérito de seus neurônios - então está fácil!). Passada esta etapa, faltam apenas poucas coisas para o ápice de sua missão na Terra: compre peitos novos, desfile no carnaval e se meta em algum escândalo.
Parabéns! Finalmente você pode se considerar um verdadeiro ser humano!
Mas, se ao final de toda esta peregrinação sua plenitude ainda não foi alcançada, existe ainda uma última opção: vire evangélico.

sábado, 20 de novembro de 2010

Ponte do Agora




Às vezes me pergunto se hoje é ontem ou amanhã. Um sol se pondo enquanto outro nasce do outro lado de uma ponte qualquer de uma ilha rodeada por barbatanas cintilantes. Travessas se cruzando o tempo inteiro levando tudo para o mesmo lugar em uma enxurrada de congestionamento e dores de cabeça na bandeja. Pernas, passos, saltos, esfinges, cascos, neve - palavras. Como dar sentido ao que se vê? Como ver? Quem ensinou que aquele azul é mais escuro que os olhos daquela lontra? Tranças, castelos, deuses, asas, lendas, lamentos. Peregrinação ao desconhecido dos sábios leigos sedentos por razão. Quem tem razão? Onde se vende? A razão é invenção que mata sentidos e sentimentos. Raciocínio: culpa de quem? Dinheiro – árvores: transformar natureza em burocracia, dormir na rede do pescador faminto lambendo os dedos fartos de unhas. Cheque-mate. Cavalos, rainhas, torres, abuso. Tanques de guerra ou areia nas vitrines repletas de mecanismos feudais. Sorrisos são dentes, lábios são sexo, pés são sapatos, portas são travas. Eu não sei se hoje é ontem ou amanhã, ou se tanto faz. O mundo não se importa, apenas ignora - são quase todos bípedes e ignorantes. "Céus, arranhem a pilha de corpos televisivos pendurados nas janelas fechadas!".
Tentações: simples desejo dizendo que alguém está vivo. Perigo: motivo para correr e sentir as pernas em movimento. Respirar! Respirar! Já parou para sentir o ar envolvendo as narinas?
Onde foi que os rascunhos deixaram suas vidas? Foi quando se deram conta dos cérebros ou das coxas? Onde estão os asteróides? Onde estão os extraterrestres? Onde estão os mágicos, os gansos, os anéis de saturno?
Eu não sei se hoje é ontem ou amanhã, mas sei que está noite é agora e nunca mais.

NA LUA ESTÁ A LUA




A lua está linda, transbordante, reluzente, encantada, única, esplendorosa, viva, inigualável, perfeita. A lua está entre nuvens, apaixonada pelo céu. A lua está na lua, está.

Palavras e Saturno




Pensei, repensei e despejei: "Estou lendo muito!". Parece que todo o silêncio de que tanto falo e venero está em constante reforma. Mas, quando preciso realmente de informações (ou números, no caso), minha vista está cansada e meu cérebro entupido. Na realidade: "Estou me afogando com palavras 'quaisquer' porque, sutilmente, quero fugir das obrigações que inventei.". Durkheim, Comté, Weber - estou enlouquecendo - suporto Nietzsche por puro charme. Leio dez vezes a mesma página, e o pior, muitas vezes mal me lembro do título do livro.
Claro, certamente ando saltitando por Saturno, mas leitura e pulos interplanetários são como árabes e judeus! - Bom, nem sempre: é possível fazer uma boa salada entre os dois. Enfim, o caso é que estou como um ventilador enlouquecido e sacolejante que, quando precisa funcionar, dá três voltinhas sacanas e... Pf!
Realmente estou lendo muito e absorvendo muito pouco, mas o mais importante de tudo é que, entre páginas e Saturno, a única coisa que realmente me interessa é a viagem.

Erosão





S into
O peito
S into

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

.




Transtorno
Elétrico
Lamentavelmente
Epilético
Fatidicamente
Ostentando
Noturna
Epidemia

.




Ondas
Viajantes
Naturalmente
Instáveis

.




Silêncio, imenso, denso, incenso, penso, s, s, s, ssssssss...

Dona Calma e Zé Alguém




Em uma linda noite, entre incensos, música e casa completamente vazia...


Dona Calma: Alô!!!

Alguém: Olá! Está aprontando alguma coisa?

Suspiro longo e salgado...

Dona Calma: Não!

Alguém: Vamos até uma festa? Se quiser te pego daqui a meia hora!

Dona Calma: Não!

Alguém: Mas está uma noite tão gostosa, vai ser bom. Vamos?

Dona Calma: Não, jã disse não. Não!

Alguém: Pode no mínimo me dizer o motivo?

Dona Calma: Pra começar, NÃO sei quem está falando...

Viva a Monarquia Brasileira!




- Profissão?

- Rainha de bateria!

Quero (Queros)




Enquanto isso, na Bulgária:

"Deixe a Torre de Pisa onde ela está e como ela está!".

E tudo sumiu entre quero-queros.

Eu lembro! Havia um disco voador pendurado na copa da árvore musical! Ele gostava de copas:

"Copas são o sentido dos mapas!"...

.




Loucos são aqueles que passam a vida explicando o nascer do sol sem jamais ter visto um.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

De Onde Vêm os Sonhos?




Um eco, quem disse que ecos só existem no vazio? Quem disse que no vazio só existe simplesmente o vazio? Ar, um respiro, um suspiro doce, uma montanha e um sol se pondo delicadamente em suas curvas - silhuetas entre o céu e a terra delineando delicadamente o contorno entre corpos - pólos celestiais se compondo em uma esfera de luz, o equador celestial cortando um mundo de contos interplanetários, a aurora boreal bordando as cores de um paraíso encantado, asas borboleteando copas de árvores cinza-chumbo, um oceano de imagens e fotografias entre olhares, ondas, ondas, ondas, o vento soprando amores com seus lábios largos, as nuvens dançando calmamente em busca de chuva - céu, ar, nuvens mares e marés vindos de um só lugar, indo para um só lugar - uma nave paira e gira em torno da vida, tudo aquilo que se via cabia lá dentro, luzes, luzes, luzes, tudo era um só ponto de luz e abraçava o universo em brando silêncio. Uma nave, era de lá que surgiam os sonhos, de uma nave.

A Imaginação Física de Beta




Com olhos estalados, Alfa disse: Nossa! Realmente és muito sensível. Se fosse descrevê-la seria um pára-raio luminoso.

Silêncio.

Alfa: Mentalize uma luz azul turquesa neste Chakra.

Beta: Estou mentalizando, mas agora sinto alguma coisa apertando o meu peito.

Alfa: Está com medo?

Beta: Agora? De maneira alguma.

Alfa: Está sentindo falta?

Beta: De ar?

Alfa: Não, de alguma coisa que poderia estar apertando o peito.

Beta: Pode sentir falta de algo que não se tem?

Alfa: Se está aí, se tem!

Silêncio.

Todo o Resto




O complexo de uma folha azul, uma tatuagem, uma taturana, uma árvore nua, raízes em forma de pés calçados, cansados, casulos feitos de aço em galhos de uma pirâmide sem ponta, vértices de uma incansável alegoria de varais úmidos e cheios de futilidades feitas de algodão, pontos sem seqüência, uma linha em desapego, uma flor que nasce de um fruto, bruto, uma rocha de joelhos em uma cama de brilhantes, um casal de ancoras mergulhando no asfalto, caro, o salto alto de uma abelha-vagalume, vaga, vagas de caminhões nos olhos de uma salamandra sem direção, a canção de um beijo entre nuvens, tempestade, pára-raios nas frestas de plantações de gatos, unhas, o vermelho no branco do espiral de cores, movimento, restos do que foi deixado na lua, sinos, santos, senhas, sabiás, serpentinas, TUDO. E todo o resto é carnaval.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Em




Eu não queria admitir o medo que sentia daqueles ponteiros me olhando fixamente, eu não queria. "Se todos os relógios fossem iguais e marcassem sempre a mesma hora". Eu prendia o ar e com o peito cheio, soltava levemente para ver se o tempo passava mais devagar, estava em uma imensidão gelada tentando achar um bote para que ficássemos à deriva em alto mar - lá não precisaríamos de horas e os minutos não correriam contra nós - todo o tempo do mundo para as mãos, dedos, bocas, pensamentos - todo tempo do mundo entre marolas e ondas de mais de cem metros - nos cobriríamos, então, para dormir entre pernas, pele e cavalos-marinhos. Eu olhava no espelho procurando por nós e quase sempre estávamos ali, sentados, incrivelmente juntos em uma constante troca de fluídos de uma correnteza refletida em olhos apaixonados. Eu não queria deixar o carrilhão nos esmagasse, e a cada badalada meu coração saltava pela boca - "outra imagem", pensava, "outra imagem". Eu não queria deixar aqueles ponteiros escorrerem a insuportável vontade de estar em alto mar. Eu estava paciente, mas o tempo gritava atrás de mim - eu realmente estava assustada. Meus olhos atentos olhando em volta, eu estava mesmo com medo. Onde você estava? Onde você pousava, meu bem? E eu sonhava alto com esperanças de um amanhã cedo: “Vamos para algum lugar entre o infinito e Marrocos...”. E de longe eu escutava alguns sussurros que me acalmavam...

Entre Nós




Uma
imagem
mais
que
mil
imagens

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Lula, Galvão, Sarney e Maluf.




Dizem que brasileiros têm humor invejável, então eu fico me perguntando: "elejer o Tiririca e dar audiência para o Casseta e Planeta é engraçado?". Se assim for, sou a pessoa mais sem graça da Amazônia-euro-brasileira - ainda bem.

Ter Avô Ter



Uma
imagem
mais
que
mil
imagens




Ele usa uma pulseira minha no pulso direito e eu o carrego todos os dias no peito.

Monólogos de Picasso




Quando as pessoas falam comigo e não dizem nada, eu presto a maior atenção do mundo - nos dentes. Existem certas pesssoas que só reconheço quando sorriem ou bocejam.



Frases com ruídos...
...são essas que me apaixonam.

Romeu Molhado


Minha cabeça não estava lá, então, resolvi perder o controle - remoto. Haviam garrafas e música. Haviam pessoas tentando me engolir - como isso me incomoda, Alá! Havia também (por sorte ou bobagem) uma breve saída para toda aquela aparência de felicidade: uma leve piscina fria na madrugada "quente": a melhor opção dos últimos tempos daqueles minutos. Pulei! Achei que morreria naquele segundo - a profundidade dos pensamentos e a rasura da profundidade real do pulo (burro) não eram compatíveis! "Criança, use a inteligência mais vezes" - meros pensamentos não praticáveis. Tudo por água abaixo! Já disse, odeio pessoas tentando me engolir - sou amante a moda antiga - nunca abra a boca para se alimentar! - maçanetas falantes não fazem meu tipo - não sinto. Água, uma roupa preta colada ao corpo, ouvi um "mulher gato" - quase voltei à beira da morte. Ali prometiam-se anéis fiéis, castelos, paisagens quaisquer - "quem disse que é isso que ela quer?". Eu sabia, não queria viajar, muito menos viajar na viagem, mas fui (fundo), e os ruídos da falta de interesse transbordavam aos ouvidos. Olhos envoltos ao corpo - isso me agride. "Suicidas amorosos" - um grande amigo me disse certa vez - e devo concordar: pura e insana verdade shakespeariana. Sentimentos são fortes e confusos. Tudo é tão bom quando se pode criar realidades coloridas e aquáticas! Mas tudo é demasiado real quando se vive uma realidade fria e apática. Tudo debaixo da piscina - que sina.
Meus pensamentos ainda estão desconexos, nem sei ao certo o que escrevo - mas preciso. Sinto saudades do que não tenho e sinto muito pelos seres humanos. Eu jamais mergulharia dentro de um coração humanóide. Ainda prefiro os unicórnios, ainda prefiro...