segunda-feira, 29 de agosto de 2011

NAU




Quando anoitece, amanhece outro sol, noutro lugar do corpo. Dilúvio solar. E no distante horizonte, a inatingível mente dos amantes alcança águas repletas de sereias barbadas e proféticas ondas douradas. Caravelas em forma de estrelas improvisam luminosos céus no içar das bandeiras. O Universo Absoluto renasce em seda e nudez. Embarcar e deslizar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

ÀS AS




Suportavelmente acordo. Dois cigarros por fumar, centenas de frases feitas e vulcânicos pensamentos. Insuportavelmente te escrevo enquanto te deito no travesseiro florido. Quanto amor no pensamento das suaves cinzas do não esperar. O peito já não é peito, é o desejo latente de morar na casa da árvore da felicidade. Te imagino, venero te imaginar! Coloco em minha alma bigodes de Leite Ninho ,e, assim, sou criança inventiva outra vez, suportando você em mim da mais magnifica forma criada pelo universo. E vou vivendo... Minha vida em nossos infinitos momentos, minha nômade vida em seus magnetizantes eixos. Te deixo, meu bem, como me deixo pelos cantos do quarto azul. Quero você e te preciso como preciso de meus grandes olhos. Te vejo, longe, tão perto, tão perto, tão perto...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

UM




Fogos de artifício no lugar das palavras, nada além de luz e estrondosos sussurros nos seios. Pernas contraídas entre a gôndola rosada e o suor borbulhante do esmalte que te ataca. Dialeto de rios desaguando na candura dos poros, despindo excessos na janela das línguas de outono. Respirar no distrair dos retalhos da última trajetória de galáxias em ebulição. Arrebatadoras cores silenciando amor enquanto me amo em você. Mais.

DENTRO DO SEU



Meio minuto após devorar um pote de pêssegos em calda, desconfiou que houvesse se esquecido no bolso interno do paletó. Procurou-se pela casa, espalhando migalhas de suas guloseimas favoritas por todo o carpete marrom, mas o esforço apenas rendeu intensa dor naquela carcaça indigente.
Não costumava deixar-se, apenas flutuava durante alguns momentos e logo voltava à solidão habitual de seu ego-abismo. Mas desta vez, a avidez louca pertencente apenas ao amor (e aos gansos do Leste) havia lhe colocado em seu devido lugar: o paletó.
Pensou em comprar fogos de artifício em forma de cabide, naftalina, máquinas de secar e tudo aquilo que poderia atrair aquele largo casaco, mas a escuridão do armário (lugar onde provavelmente ele estaria) não permitiria qualquer tipo de manifesto.
Enfim, conformou-se! Aquele paletó era quente e caudaloso, negro e luminoso, como um pessegueiro aveludado em plena Avenida Paulista.