Eu queria estar debaixo de seu chapéu. Alí, contemplativa, ouviria bem de perto os teus pensamentos em nuvens, me perderia entre os fios do teu cabelo nublado e sentiria as gotas de tua chuva insana de idéias. Alí, em você, dormiria tranquila em tua fervorosa tempestade de sentimentos. Alí, só por alguns intantes, poderia prever o teu tempo e apagar o sol da tua mente, para depois de despir o poente, penetrar nas trovoadas de tua estrada curvilínea rumo ao sul. Debaixo do seu chapéu, com terceiras e quartas intenções, tatearia todos os teus nortes. Alí, debaixo, bem abaixo, mais para baixo, é lá que eu ia morar. Debaixo do seu.
Chapéu.
Isa : amei este texto!!! É uma espécie de surrealismo erótico. Algo como Magritte encontra Bukowski. Beijo!
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