Encontrei na palidez dos dedos mais lindos, um tato apurado e intenso. Mãos feitas de aço e cetim exploraram e conheceram os pontos cardeais e, assim como piratas no vasto e inconstante oceâno, comandaram o leme com sorrisos largos de satisfação, etampando nas ondas desconhecidas, curvas de um azul que só se enxerga e se sente aos tapa-olhos.
Estibordo, bombordo, rosa dos ventos, cruzeiro do sul...
Afogar o outro e fazer respirar como se fosse o último suspiro em terras férteis. Penetrar em águas salgadas, entre salivas e sabores de lua cheia. Remar, remar, remar... e nascer na praia entre lençóis brancos e úmidos.
Acorrentar a correnteza em pensamentos e acordar, mais uma vez, em alto mar.
Nós. Nós. Nós cegos.
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