terça-feira, 20 de setembro de 2011

ENTRE AMOR E VENTO




Abri a janela, fazia frio, dois ou doze pássaros cantavam e algumas folhas acenavam. Senti a brisa tocar a parede das maçãs do rosto da porta - nada - apenas alguns pingos nos olhos das telhas. A cortina dançava feliz, a cortina, empoeirada. Aroma de Julhos, Robertos, Andrés. Claves de sol ardendo nos lençóis quadrados, brilho fosco - focos de luz em tecido antigo e sem pele. Alguns peixes cantando fora do aquário, maremoto de conchas sem eco, toalhas ao chão. Um marinheiro na linha do último vagão. Quanto vento fazia naquele dia luminoso! “Acabou”, disseram-me.

Começou.

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