
Ah!, Vida, seja um pouco mais difícil. Tire tudo de nós e nos transforme em cubos de gelo. Faça um carnaval com nossas almas e pulmões, tranque as portas dos bancos, apodreça as maçãs de ontem e de hoje, jogue fora as cordas do violão e deixe o piano tão desafinado quanto as bocas de hoje. Foda tudo! Rasgue a carteira de habilitação do ar e queime todo o ocidente. Crucifique os amores, passe cordas nas genitálias, lobotomize os pensamentos, faça das cores um extenso aborrecimento, cimente as lascas de excitação, os templos, as árvores, os índios e os indigentes. Foda tudo ao cubo! Foda tudo ao quadrado: COMO toda esta encubação. Eu te engulo, Vida, de uma maneira tão perversa e romântica quanto aquela que te escreve. O medo de existir já não mora mais nesta caverna, não escuta gritos de inconfidência e tampouco adoece nesta normalidade digna de pena (de morte). Tudo. Tudo. Tudo pouco perto de todo o resto - resto de um todo que agora é tudo.
louca mas linda loucura.
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