quarta-feira, 27 de abril de 2011

O LIVRO DO CORPO





Quando abrir os olhos e aqueles raios por entre a cortina dourarem caminho para o dia, meu corpo estará ali, entre a cama e um pedaço do lençol do dia anterior. E se olhar bem de perto, onde eu sinta o respirar de tua vida, poderá ler-me como livro novo e sem capa. Por entre as curvas, coloridas figuras e espaços em branco: tramas, loucuras, passados e futuros diante de suas retinas. No virar das páginas, um virar do avesso. No terminar o interminável, o batom de adeus por entre seus dedos do até agora. Pode ler-me sem medo, decifra-me linha por linha e torturar-me com minhas próprias verdades, mas o livro, este poema entregue aos dias e noites, nunca será seu pela eternidade. Embora o que agora leia seja eterno enquanto dure suas retinas...

Nenhum comentário:

Postar um comentário