
Eu não sei. Não acredito em aviões, só em discos voadores! Mas eu vi, tinha asas e luzes e estava além das nuvens que dançavam algum tipo de dança de eucalipto. Bem, ao menos foi isto que as ouvi dizendo "dança de eucalipto". Que dança! Elas sabem mesmo como mexer as gotículas. Mas o objeto (se objeto) que ziguezagueava acima, era um tipo de engenhoca transcendendal. Não tinha forma exata, nem som e nem cor definida. Ah, mas que presença de elefante! Pensei em chamar umas das minhas amigas bolhas de sabão para investigar, mas elas estavam ocupadas brincando de estourar noutro lugar. Também liguei para uma estrela, mas era dia e ela dormia como ostra. Eu estava um pouco distante do chão, acho que uns onze centímetros e meio, usava meias de açúcar refinado que ganhei da minha avó. Estiquei os braços e gritei baixinho para que ninguém ouvisse. Deu certo! As luzes não me ouviram e logo apontaram para meus olhos. Pude ver um claro de um escuro tão agudo que sorri escancarando os dentes. Depois disto, pouco me importava o que era aquilo (se aquilo). Eu tinha as nuvens e as meias. Verdade, caros caramujos, eu flutuava...
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