terça-feira, 19 de abril de 2011

EU SENHORITA




Eu não disse nada sobre mim, absolutamente! Eu nem sei do eu de mim. E ai de mim se sei sem saber! Quanto a ti, senhorita, devo dizer que tens lábios lindos e com sabor raro, mas as palavras que os abre e fecha não pousam bem aos cantos dos ouvidos. É uma pena! Mas a pena maior é a de saber que já está com os pés na maria fumaça do até breve. Isto significa o adeus do não saber de mim. Rezo e peço aos ventos celestiais que tua saia rendada deixe de rasgar os corações e que a fé no pote de açúcar seja mais doce quando chá. Por ora, enquanto pulsa o relógio do último instante daquilo que passa e fica quando se vai, te empresto minha alma para te acalmar. Feche os olhos e, baixo, pense alto além do além. Sei que moro no silêncio do não sei quem sou, mas quem sabe o sábio é mesmo não saber.

2 comentários: