
Que lindas histórias contei enquanto dava passos largos no tempo. Que grandes segredos esqueci enquanto amarrava o cadarço do tênis surrado. Nos intervalos da programação, quantos espasmos. A falta de ar quando procurava encontrar a respiração que nunca me deixou. Timbres de voz no silêncio. Ângulos da mesma cena reproduzindo o agora de tantas vezes. O segundo de uma claquete sem nome. Fantasias no carnaval do quarto escuro. Mãos e dedos e mãos e dedos e anéis que se foram. Afinação de um violão sem cordas - trilha sonora de uma solidão cheia de olhos. Palavras exalando um amor que procurava enquanto ele descansava dentro. Grãos de intensidade no virar da ampulheta de emoções. Incontáveis vidas em uma só noite. Uma noite por tantos dias. Um momento eterno, até o aqui que ainda conheço. Um agarrar de mãos abertas. Deixar ir sentindo a raiz penetrar fundo pelo umbigo que divido. Querer sem precisar ser querido. Um olhar que segue além da retina. Palavras que ficam, idéias que vão. Desejos que sorriem e se tornam outros desejos. A mesma coisa, os mesmos tênis. Outras histórias.
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