terça-feira, 29 de março de 2011






Cabe a mim o doce sonho de amor inalcançável, que não finda, perdura por sequentes vidas até se dissolver na longínqua consciência do desapego. Brincar com sonhos reais que arrastam o peito e os olhos até torturantes ilhas de abraços mentais, fingindo não ver o tempo não agarrável dos segundos gritantes de uma suave lembrança que ainda suspira. Nas velhas cartas, o desejo ardente de encontrar a última palavra no instante em que surge o carteiro. Observar pássaros e correr por entre cachos de uva com o vestido de seda azul feito sob encomenda para os olhos de alguém. Cabe a mim não caber em lugar algum, mas em mim, onde tudo cabe e vive na tranquila paciência do agora para sempre.

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