
Nesta noite, entre a insônia e inúmeras tentativas de nocauteá-la, tive intermináveis sonhos. A sorte é que sempre me lembro de todos – e devo confessar que eles me dizem muito sobre o dia seguinte. Quando os compreendo por “completo” (nunca é por completo), me preparo com todas as forças para o que virá (bom ou não tão bom, tanto faz). Às vezes, não todas, os sonhos também dizem sobre aquilo que estou passando (ou passei), me conectando comigo dentro de imagens surreais, mas absolutamente coerentes. Aí está a mágica: uma tênue e invisível linha que faz a união entre distintos mundos - sonhar é o que posso entender de mais próximo da magia.
Um dos sonhos de hoje (o mais nítido de todos ou o que mais me interessou), trazia consigo uma folha em branco em minhas mãos, e eu, nua, no alto de uma montanha avermelhada (sem vegetação alguma), lia frases e palavras desconexas, dispersas naquele papel. Surpreendi-me ao ler “MATERIALIZAÇÃO DO SONHO”. Lembro-me de ter pensado “vou escrever sobre isto!” – pois é, tenho essa consciência naquela outra vida (talvez mais que nesta). Mas o fato é que escrever sobre isto exige um pensamento longo e voador até as conclusões finais (que nunca são conclusões e muito menos finais). Mas esta tal “materialização do sonho” chamou minha atenção, realmente. A primeira sensação que tive foi de beleza, depois senti felicidade, então me veio os devaneios e as questões - vez ou outra é bom não pensar muito e, como dizem, “deixar rolar”, mas esta técnica ainda é muito distante do que conheço.
Seria isto um presságio? Ou será que é por este motivo que agora estou aqui cheia de formas, flores e perguntas? Não seria eu mesma a “materialização do sonho”? No fim das contas, o ato de sonhar é um lindo modo de se reinventar. Mas eu, eterna sonhadora, ainda aguardo a materialização do sonho, mesmo sabendo que ela já está aqui.
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