
Comprei uma caixa de chicletes de morango e decidi que queria ver um filme. Fui até a locadora e comecei a vasculhar as prateleiras. Sempre vou nas mesmas (ou na mesma), mas desta vez eu não sabia ao certo o que meu íntimo queria assistir. Escutei um som que saiu de dentro do meu ouvido: passos de sapatos de salto em um chão especificamente de mármore. Pronto, eu queria um filme com este som. As imagens foram surgindo aos poucos, frias, gélidas, ambiente monástico, espartilhos, chaves enormes e pesadas (adoro chaves antigas), lareiras, tranças, trancas, homens de cabelos até os ombros... Por um instante fiquei em dúvida se queria ver um filme ou estar nele. Logo depois tive certeza que queria mesmo é estar nele. Enfim, procurei entre as caixinhas de plástico um lugar como aquele, onde encontraria aquelas pessoas e aquele som de corredor comprido. Passei por vários filmes que pareciam me vender tal sensação, mas nenhum que fosse mais interessante que a situação impregnada em minha imaginação. Voltei ao carro com as mãos vazias. Qual seria mesmo a graça de um filme, se ele já estava passando pela minha cabeça com imagem nítida e até cheiro? Nenhuma. Deste modo já estou entretida por horas, entrando por passagens secretas, jardins intermináveis e corredores misteriosos. Estes filmes, definitivamnete, são os melhores. Pipoquinha?
"Não importa quantas vezes eu veja,em todas eu me arrepio intensamente como se fosse a primeira..."
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