segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ATÉ A MANHÃ







Lá está ela, pronta para uma caminhada calculada em quarenta e cinco minutos contados no cronômetro. Lá fora a garoa. Lá dentro o suor dos fisiculturistas. O som dentro de seus ouvidos torna a visita ao recinto uma agradável viagem pela máquina que faz andar sem sair do lugar. Automaticamente ela começa a pensar e, em três passos, outros lugares começam a se formar...

A paisagem agora era o sol, o sol de chapéu. Lembrou de quando o viu nascer pela primeira vez, embora não estivesse certa do lugar, da hora ou das cores. Sentiu o calor que passava por sua pele, junto ao o vento vindo das nuvens que riscavam palavras no céu. O sol era mesmo como ela imaginava. Sorriu - paisagens como esta a deixam com uma estranha felicidade nos dentes do peito.

Distraiu-se - os minutos corriam como loucos no relógio. Já estava noite, não havia sol e a lua escondia-se entre as luzes da cidade...

O sol, o sol voltava em sua mente em sussurros mudos. Lembrou-se de quando ele se punha - ele sempre se punha quase na mesma hora. O sol e seu chapéu desciam pelas montanhas secretas e dormiam profundamente longe de tudo aquilo que ela conhecia. Ela sempre esquecia de perguntar se ele poderia a encontrar em uma outra vida, em algum lugar em que ele sempre seria sol, mesmo durante a noite. Outra vida, ela esperaria, mas nunca perguntava. O sol se punha.

As pernas estavam cansadas, olhou outra vez o relógio: cinco minutos...

A paisagem escorria por toda sua pele.

Três minutos...

O vento soprava dentro de cápsulas de veludo.

Um minuto...

O sol, o nascer, o pôr, o sol...

O cronômetro apitava. Até amanhã.

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