segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Convicta Contradição






"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras."

Friedrich Nietzsche





Se decepcionar com alguém é se decepcionar consigo mesmo, e isto é pura e absoluta consequência da intensidade com que se vive. E não me venha com hipocrisia dizendo que sabe o que a palavra ‘intenso’ significa, se não enxerga a nitidez da frieza nos atos calculados de certos humanóides. E isto é tudo. Não quero saber dos conselhos de qualquer um e acho que tudo o que se "pensa-sentir" em massa uma inutilidade sem tamanho - embora reconheça que a ‘intensidade’ seja uma delas (mas esta é espontânea). Sentimentos não são coletivos! E que saber? Contra tudo aquilo que venho aprendendo, acho que eles são o combustível da alma, e mais, acho que são um poço de sabedoria: se entregue, um pouco, e verá. Não é fácil, não é fácil ser desta maneira - quem disse que seria? Na verdade a vontade insiste que mandemos tudo às favas para nos pouparmos de outra queda livre, mas não tenho medo de abismos – talvez do eco, mas este é meu medo de mim. Creio que ser jovem (e mais alguma coisa) facilite minha constante caída rumo ao nada, mas como dizem (óh contradição!): "já estou calejada". Sou a completa verdade daquilo que sinto e não me arrependo em absoluto. Talvez quando o peito dói, mas logo passa, então está tudo certo outra vez. Ainda acredito nas pessoas, ainda acredito em tudo aquilo que elas têm jogado fora, ainda acredito nas palavras e ainda acredito que é preferível abrir a alma e sofrer, a calar-se e inventar desculpas eternas a si, se deixando aos poucos em algum lugar sem espaço. Claro, se decepcionar com alguém é se decepcionar consigo mesmo, afinal, no fim das contas, o amor que tanto se discute só vive em nós, e não dos outros. Cabe a eles apenas ser como lhes convém. A nós, cabe a escolha entre ser ou fingir ser. Talvez acreditemos em nossas mentiras por completo, e talvez o amor seja a maior delas. Mas enquanto ele mora aqui nesta casca ainda muito sonhadora, vou ser fiel (somente) à ele. Quem sabe no próximo abismo não se esconda a solução? Enquanto isto, vou olhando no espelho e repetindo aquele velho mantra “Eu lhe disse...”.





"É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado."

Guimarães Rosa

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