quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

VAPT






Resolvi sentar em minha própria montanha russa, sem cinto ou cadeira estofada. Sentei como quem senta de biquíni em um rochedo frente ao mar. Ao contrário das outras, minha montanha russa começava do alto e para mais alto ela seguia, no ritmo frenético de um canto lírico acelerado. Não havia passageiros, todos preferiram ficar em terra, o que foi melhor – não gosto de gritos e cheiro de medo apitando no ar. Acionei o botão, abri bem os olhos e gritei “avante!” Depois do grito dei uma risada que, mais tarde, soube ter ecoado em Tóquio: quem, com menos de cento e oito anos, diz ‘avante’? O primeiro tranco foi assustador, pude ouvir o barulho da transa entre ferrugens, mas logo em seguida deslizei como dedos de criança em cobertura de bolo de chocolate. Meus cabelos pareciam ser feitos para o ar, as nuvens quase alcançavam meu esmalte lilás, pássaros me olhavam com ar de riso “olhe aquela menina, acha que está voando, mas nem sequer asas ela tem!” Blá, às vezes os pássaros são bem rabugentos! Vinte rodopios! Como pude viver sem isto por tanto tempo? Os cintos de segurança, todos eles eu havia deixado pelo chão “que maravilha!” O trajeto foi impecável, intenso, charmoso, incrível... Mas depois de certas mudanças na posição do sol, terminou. Respirei mágica durante alguns minutos, minha mente estava em êxtase e meu corpo tremia derramando gotas de alegria. Agora eu estava em uma altura indescritível, entre o azul e o preto. O que mais eu poderia fazer a não ser continuar a viagem?
Pois bem, desta forma começaram os meus dias, e desta forma eu os tenho vivido sem titubear. Minha montanha russa é o melhor lugar do mundo, e olha que ainda tem muito mais... Carona? Primeiro tire o cinto. Avante!

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