domingo, 20 de fevereiro de 2011

Transbordar







Às vezes, acordo com a sensação de que o coração irá transbordar a qualquer segundo. Um peso delicioso no peito, como se durante a noite, enquanto sobrevoava por outras paragens, algo ali dentro houvesse tomado proporções homéricas. Sentimento pletórico. Aperto que faz ter certeza de que existe mesmo o tal do amor, ou mais, que amar é o nosso presente a nós mesmos. Às vezes, não todos os dias e muito menos a todo o momento, assim, quando menos se espera, o despertar chega com esta surpresa transcendental. O que pode ter ocorrido noite adentro? Algo aconteceu enquanto os ponteiros desregulados do sonho giravam, calmamente, em um tempo e espaço entre a mágica e o mistério, além do que se sabe ou o que se viu, além de si, além, muito além de nós. E não há no mundo quem diga que isto é pura e insana invenção da mente, não há. Que seja invenção, é do coração. E que seja insano, seja louco, seja intenso, mas que seja. Tenho cultivado estas sensações, meu jardim já está repleto delas, todas de uma cor única, forte e reluzente. Às vezes, quando o sol bate na janela e meus olhos se abrem, todo o encanto do mundo parece estar festejando dentro do meu peito. E é lá, dentro deste jardim sempre em festa, que eu me encontro, regando rosas transbordantes enquanto sinto, bem fundo, cada pétala daquilo que amo.

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