quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Entre Órbitas




Durante este ano (e um pouco mais), só “tive” uma pessoa. Uma só. Uma que fez com que todas as outras ficassem invisíveis ou sem graça. Pensar nela me fazia sentir melhor que qualquer outra coisa. Pensar, só, imaginar, flutuar. Pode parecer bobagem, mais não foi. Nestas viagens por aquela órbita, decorei a exata cor das estrelas, o tempo que levavam os raios de sol até os meus olhos, as palavras dos cometas e muitas outras coisas incríveis. Aprendi muito sobre o espaço. Durante todo este tempo fui muito feliz, acreditem. Pode soar loucura, mas foi mesmo tudo muito louco – indiscutivelmente louco. O caso é que aquilo tudo fez com que eu mudasse, como se, a partir de dado momento, o mundo passasse a ter outros tons (muito mais bonitos). Não sei explicar como (não conheço palavras para isto), mas sei que foi. E tem sido. E mesmo com tudo e por tudo, ela continua sendo a única. As cores, mesmo ficando turvas, vez ou outra, ainda têm aqueles tons inigualáveis. Eu não sei como tenho conseguido lidar com toda esta beleza estonteante e surreal, eu não sei. Mas devo ser sincera e confessar que, enquanto o relógio escorre e as formigas dançam loucamente entre as árvores azuis, minha mente foge de mim e mora um pouco noutro lugar, onde ela está. Está tudo bem: chove, faz sol, anoitece, amanhece. A vida parece correr em seu ritmo natural. Está tudo bem, e estes tons do pôr do sol são uma dádiva por agora. Está tudo bem nesta poltrona entre longas memórias de risos fáceis e teclas quadradas. Está tudo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário