sábado, 4 de dezembro de 2010

Qual a Marca do Amor?




Hoje, no supermercado, havia um casal discutindo a marca do café que queriam levar - e não pensem que eram de uma classe menos favorecida, não - ao menos a pinta não era esta. A mulher falava alto e o marido, por sua vez, retrucava mais alto ainda. Seria mais coerente se levassem as duas marcas, ou deixassem de tomar café, ou se separassem. Enfim, o caso é que fiquei imaginando a briga entre as xícaras do café, do açúcar ou adoçante, da colher grande ou pequena, da mesa com ou sem toalha, de dormir com ou sem sexo, de ir ao parque ou ao museu. Não acredito que as pessoas possam se acostumar a viver em um ambiente de brigas e discussões constantes: "Eu mando, eu sou, eu faço, eu sou foda!". Existem vários telhadinhos por aí que poderiam se chamar "Novo Complexo Juqueri" - as pessoas gostam de enlouquecer umas as outras. Antes de estabelecer qualquer relação, alguém deveria perguntar: "Vamos brigar por uma droga de marca de café? Porque se assim for, nada feito!". Mas não, parece que as intrigas estimulam o relacionamento que, muitas vezes, é apenas acomodação.
Certa vez queriam discutir comigo sobre um simples almoço - mas não era o que fazer, era como estava sendo feito: "Amor, falta água, vai ficar ruim. Colocou sal? O que é aquilo? Não! Eu SEI que não é assim!". Não respondi, dei-lhe a colher e saí pela porta de casa. O "amor" deve estar tentando até hoje achar o ponto certo do macarrão - sem marca.

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