segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

NOVA ERA (Uma Vez)




Foi quase, o final de semana parecia atraente, a corda bamba estava balançando e eu fazia força com os braços abertos tentando me equilibrar com o vento. Ouvi uma voz: "Já sei qual o próximo passo! Não deixa, está percebendo?". Incrivelmente uma luz surgiu do céu naquele instante escuro - enxerguei o caminho que percorre o descontrole. O telefone, propostas, uma cidade inteira - não, nada daquilo poderia me fazer mais feliz. Peguei o carro, rodei, rodei e rodei sem rumo algum - os enfeites de fim de ano não me atraem mais - rodei, rodei e rodei - pessoas alinhavam-se tão estranhamente - rodei. Estacionei o carro, atendi todos os telefonemas como se estivesse faminta e engolisse uma secretária eletrônica: "Não, obrigada!". Que alívio! Não pensei que acordaria tão cedo de um pesadelo que tanto me instigava - mas aconteceu. Não me lembro ao certo em que dia, mas em um certo momento resolvi enfrentar os monstros que havia cultivado no meu jardim de pitangueiras.
Acordei no outro dia com aquela sensação de memórias apagadas e segmentos desconexos de cenas de cinema mudo: abri os olhos, minha visão estava perfeita e meu corpo estava respirando ardentemente, havia um cheiro de incenso no ar... O mar não estava de ressaca, as ondas estavam em seu ritmo tranquilo, o dia estava azul e eu estava feliz - indiscutivelmente radiante.

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