
Lembro-me da árvore de pitangas da minha infância. Ela parecia tão alta e brilhante, cheia de tons de laranja em suas frutinhas tão pequenas e com formato de naves espaciais: "Olha, mãe! Parecem aquelas navezinhas de et!". Lembro-me do aroma não tão doce, mas que eu adorava sentir - todos os dias eu ia vê-la e respirá-la de perto. Certos tempos, as frutas não estavam lá: "Pra onde elas foram? Gulosos, comeram todas!". Eu sempre a queria cheia, então pegava uma ou duas quando tinha vontade de saboreá-las: "Assim elas sempre estarão por aqui!". Lembro-me que aquela árvore tinha um sorriso que só eu podia enxergar - as pessoas passavam reto, nem sacavam uma simples piscadinha: "Tadinha!". Certa vez, um pouco maior, fui visitá-la e senti exatamente as mesmas sensações que um dia penetraram meus sentidos, então, pensei: "Quero ter este mesmo gosto mágico de infância em todas as coisas que eu viver, assim, sempre serei a mais feliz de todo o mundo, eu sei!". Não posso dizer que não me esqueci algumas vezes deste combinado, muitas vezes experimentei pitangas que mais pareciam trufas de fumaça. Mas hoje sinto tudo outra vez, exatamente aquela mesma fantasia simples e real de uma pitangueira laranja e espacial. Como é bom voltar a ver as minhas eternas pitangas...