
Perco as chaves da estrada de ouro dos meus vinte anos, transo versos entranhados na intuição dos pássaros lilás que habitam meus cabelos, prego quadros nas paredes da floresta de memórias novas que querem criar raízes nos pés das mangueiras falantes, aperto as mãos brancas cheias de esperança, envolvo luzes de estrelas do mar em meu peito transbordante, planto sementes amarelas em colméias de vaga-lumes gigantes, abro a porta da alma de vidro translúcido, amo, penso, esqueço, vou, volto, rezo, calo, agarro o tempo com as mãos que me fogem, beijo intensamente algas marinhas do aquário vermelho, meus vinte anos envelhecem e enrugam cadeiras onde pousei, arrasto os móveis de plástico debaixo do cobertor das pálpebras, toco, ouço, faço, projeto, castelos de gelo feitos de lua atravessam meus córregos, chove papéis de seda no guarda-sol cor de pele, arranjo, abraço, afasto, penetro, calçadas de veludo envolvem as solas do sol, acaricio, tendas abrem-se em um espiral de plumas, vôo, peixes cavam bolhas no céu de mármore, intensifico, cortinas exprimem raios afiados de tigres persa, alucino, vidas se encaixam na canção do tempo, ah, meus vinte anos...
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