domingo, 5 de dezembro de 2010

O que é?




Eu falava com ele - ele sabe como ninguém como me fazer dizer as coisas que guardo comigo - e me disse com um tom doce: "É isto, é isto!". Eu perguntava novamente e ele dizia, suavemente: "É isto, é isto!". Talvez eu não acreditasse, embora o ouvisse cada vez mais claramente pulsando: "É isto, é isto!". Não havia mais dúvidas, talvez nunca houve, mas eu tornava a indagá-lo, e ele, tranquilamente, espalhava sua sabedoria outra vez: "É isto, é isto!". Nenhuma palavra saia de suas batidas constantes no peito, apenas aquelas que indicavam uma só certeza: "Aquilo, aquilo!". Eu não sei enganá-lo, ele sabe de tudo, ele sabe: "É isto, é isto!". Eu sei que é isto, eu sei, eu sei, Deus, como eu sei! E ele tornava a esperar mais um ponto de interrogação. Não pontuei mais nada, já estava tudo ali, tudo isto. Mas ele voltava a bater a cada instante dizendo: "É isto, é isto!".

É isto.

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