
Planejava estar no topo daquela montanha de gelo esculpido no corpo quente de uma manhã entre o sol e o espaço - ontem, hoje, amanhã: todos-dias-todos. Enterro de um sorriso trêmulo de criança aborrecida distante do espelho que mina os contornos da verdade - corpo, pele, terra. Pinturas de natureza morta entre copos e luvas de uma cena teatral - uma casa, uma janela, uma cerca no porão. Pétalas voando ao topo, do topo para o torto rio de lavas adormecidas - explosão - uma vela no jardim de rosas sem rosto. O trem da razão embarcando os anciãos escuros da tribo, um pequeno índio perde as penas, corre, procura a cabana - uma beira à beira de outra. Traquitanas caem para baixo como aviso: ninguém vê - somos o céu das nuvens. Um livro tenta se apagar com as luzes e reescrever as páginas com vento - o sussurro do que não pode ser dito, o relógio marca o pulso cansado. Resquícios de tinta borram o pescoço dos gansos mansos da linha imaginária dos celeiros ondulantes - branco no branco, branco no azul da tinta em silêncio. Pipas nos dedos puros de um bambolê tentam alcançar as gotas - se esgota a chuva, outra vez, na nuvem. A montanha montando momentos marcianos em caudas cometárias. Brilham os astros verdejantes da palma da retina triangular - piscam, pedem, rodam. A rochas escondem em suas fendas o resto de gelo que, agora, derrete - gota, água, rio, nuvem, montanha.
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