sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Com Pescoço de Interrogação






Ela se perguntava quando isto iria acabar, com a vontade insana de uma abelha no cio de seu zunido. E o zunido ecoava, batia nas paredes da caverna vermelha inabitada e, assim como boomerang, voltava aos ouvidos sem jamais atingir um alvo. Ela estava entre montanhas, escalando os picos de intensidade cósmica - tocava o sol, falava com ele, desembrulhava-se entre seus raios como pacote de dezembro nas mãos de uma criança. Aquecimento global - do tórax ao clímax mais alto entre as nuvens. Tudo fluía ao mesmo tempo em que o sorvete de flocos triangulares derretia. A colher mostrava sua face ao contrário – ou seria este o lado certo? Tanto faz. Os saltos ornamentais das gaivotas, a faziam entrar em êxtase e traziam memórias perturbadoras – ela, intensa, adorava. Quando isto iria acabar? Ela se perguntava e imediatamente esquecia – queria esquecer. Quando isto iria acabar? Sonhava com a resposta certa, ou a mais errada. Quando isto iria acabar? O agora respondia, nunca. O amanhã ecoava pontos de interrogação fluorescentes. E perguntava, atônita, esperando uma resposta do tempo... Mas o tempo estava aberto, fazia sol e ela jogava boomerang enquanto esperava o sorvete derreter. Quando isto. Enquanto isto. Quando isto iria acabar? Era isto mesmo o que ela não queria saber.

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