
A montanha onde me encontro, encantou meus pensamentos, penetrou nos meus sentidos e no que ela diz chamar “infinito”. Em uma longa conversa entre nós, flores e folhas caídas de altas árvores, salpiquei versos intitulados “verdade”, para tentar entender de onde o nada vem do nada e pra onde ele vai. Enquanto o mundo dava voltas sem que eu percebesse, gotas de pura e lúcida insanidade se instalaram nos meus “não sei” e trovejaram nos meus casuais “pode ser”. A lagartixa azul-brilhante, que tremia como antigas mãos cansadas de velhas costureiras de bordel, escrevia uma carta em meus ombros, apenas pra dizer que o mundo é lindo e ludibriante, mas tudo não passa de ilusão tátil - as verdadeiras coisas entre o espaço e a gravidade não morrem e nem mesmo se escondem. O mundo continuava girando, e eu, já de cabeça para baixo, brincava de adivinhação com uma montanha troiana no parque de distrações astrais. Sentia-me conectada com luzes e discos (voadores) que me ditavam os segredos das próximas horas. Próxima a mim, eu mesma, o espelho, as verdadeiras formas dos dez mil sentidos, o medo que sentem os raios com seus próprios suspiros de energia mágica. Nem todo mundo é mundo, nem todo mundo é nosso, nem todo mundo sabe de outros mundos. Penas caindo, que pena! O ganso acenava como se soubesse que aquele olhar eterno entre nós nunca morreria – sábio pássaro tolo. As cores estavam todas lá e desenhavam todos os pontos da linha invisível dos amores, das saídas, das portas, dos astros e estrelas cadentes. Tudo ali, na montanha onde me encontro - e te encontro e nada encontro - tudo já sabido, e gritava baixinho a importância de saber sentir e mentir os corações que nunca, nunca morrem... Nem param de pulsar na montanha onde me encontro com a eternidade de um invisível planeta chamado “Silêncio”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário