
Hoje foi dia de encontrar alguns amigos que não vejo faz muito tempo – dois anos, ou talvez três. Todos muito mudados: uns mais sérios, alguns mais chatos, outros mais felizes e assim por diante... Neste encontro foi combinado que além de cozinharmos juntos, devolveríamos objetos que havíamos esquecido na casa de algum dos presentes, desta maneira, acabamos em uma espécie de “amigo secreto de devoluções”. Ninguém lembrava exatamente o pertence que iria reaver – o que fez com que a tarde fosse cheia de surpresas e diversão garantida (piegas)! Confesso que eu estava ansiosa para saber o que havia “perdido” (já perdi tanta coisa), mas logo uma amiga com ar de riso e olhando fixamente para mim começou seu discurso: “São seis cds, ou como ela mesma diz, discos...” – claro, era minha vez! Dei-lhe um abraço de saudades e vagas lembranças de discos perdidos, abri o pacote: lá estavam as seis circunferências musicais. Examinei cada um deles com o cuidado de recordar as últimas vezes que havia escutado, em que época, o que eles me diziam e por aí vai... Mas um deles – o último para ser mais precisa – me chamou atenção: neste momento da minha vida o escutei mais vezes que antes e ele fazia mais sentido agora. Parei – perguntaram-me em que eu estava pensando – sorri, agradeci, procurei o duende do acaso: ele não estava lá. Chovia.
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