quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Formidável







Interrompi meu retiro para poder me despedir de meu avô. Antes de embarcar de volta ao mundo, sentei no templo por algumas horas e, olhando para a clarabóia piramidal, acariciei palavras antes de dispersá-las ao vento. Senti uma forte dor entre os seios, lembranças estavam se queimando e vindo à tona entre as nuvens coloridas de minha mente - ele e seu eterno bigode, ele e seu bigode, ele e seu bigode sempre foram uma carta fora do baralho. Lembrei da palavra que mais ouvi de sua boca, “formidável”, repeti em alto som inúmeras vezes. Percebi uma lágrima se formando no fundo dos olhos e ficando de um tamanho que eu não podia suportar – cachoeira. Sorri chorando.
Cheguei ao lugar onde ele estava deitado e sereno. A camisa azul e o bigode. Peguei suas mãos frias, agradeci e dei-lhe um beijo na testa macia. Ele não respondeu. Esperei. Ele não disse nada. Entre nós pôs-se uma madeira maciça - não era mais a porta da fazenda em que eu podia entrar na semana passada. Pensei ouvir um “menina linda”, pensei e ouvi, era este mesmo o nome que ele havia me dado. Sorri. Parti.

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A não ser agora, enquanto escrevo, permaneci forte e muito feliz por passar minha vida inteira, até aqui, ao lado daquela pessoa formidável – e seu bigode.

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Antes de viajar, fui vê-lo, e como de costume, saí tirando fotos de tudo e todos. Mas uma das imagens me chamou a atenção: ao tentar fotografar uma formiga lendo um livro, eis que capto aquela figura peculiar - e seu bigode. Chorei, chorei alegre.

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O amor é coisa rara: aparece e some entre formigas formidáveis. Mas ele fica – ele e seu bigode.


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tic-tac

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