
Descendo uma rua em que subiam plumas, avistei um toureiro enlouquecido dispersando nuvens com seu lenço rosa-triste, enquanto aquecia os fardos com o mais puro e abafado vento que soprava grunhidos da quarta dimensão para os paralelepípedos tortos dos pensamentos interrompidos de outra era. Os movimentos espanhóis daquele homem eram de um feminino floral e intenso; a face, tremula de desperdícios gravitacionais, expressava marcas horizontais de mais de cem mil anos e escondia a mocidade de outrora – semblante conformado e rude de quem se deixou em algum canto de novembro ou outono. Nos ombros, marcas de ferozes mordidas de cadelas sessentonas e famintas – tornará-se alimento calcificado. Ereto, sem perder a pose visivelmente inexistente, olhou-me com o nariz apontado para a galáxia, sorriu como uma trombeta de coral e fingiu reluzir o fosco de seus olhos perturbados; voava, sim, quase despencava com as penas dos ambulantes que julgava pontos incoerentes. Continuei indiferente – mais um ponto para outro conto envenenado -, estiquei o olhar elástico e enxerguei o além daquela estátua em ruínas: uma lágrima desceu de seus músculos, e antes que acenasse convicto de tudo o que deixara por fazer, desapareceu como um touro na arena deserta repleta de pontos de partida. Madrid estava mais clara.
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