segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Romeu Molhado


Minha cabeça não estava lá, então, resolvi perder o controle - remoto. Haviam garrafas e música. Haviam pessoas tentando me engolir - como isso me incomoda, Alá! Havia também (por sorte ou bobagem) uma breve saída para toda aquela aparência de felicidade: uma leve piscina fria na madrugada "quente": a melhor opção dos últimos tempos daqueles minutos. Pulei! Achei que morreria naquele segundo - a profundidade dos pensamentos e a rasura da profundidade real do pulo (burro) não eram compatíveis! "Criança, use a inteligência mais vezes" - meros pensamentos não praticáveis. Tudo por água abaixo! Já disse, odeio pessoas tentando me engolir - sou amante a moda antiga - nunca abra a boca para se alimentar! - maçanetas falantes não fazem meu tipo - não sinto. Água, uma roupa preta colada ao corpo, ouvi um "mulher gato" - quase voltei à beira da morte. Ali prometiam-se anéis fiéis, castelos, paisagens quaisquer - "quem disse que é isso que ela quer?". Eu sabia, não queria viajar, muito menos viajar na viagem, mas fui (fundo), e os ruídos da falta de interesse transbordavam aos ouvidos. Olhos envoltos ao corpo - isso me agride. "Suicidas amorosos" - um grande amigo me disse certa vez - e devo concordar: pura e insana verdade shakespeariana. Sentimentos são fortes e confusos. Tudo é tão bom quando se pode criar realidades coloridas e aquáticas! Mas tudo é demasiado real quando se vive uma realidade fria e apática. Tudo debaixo da piscina - que sina.
Meus pensamentos ainda estão desconexos, nem sei ao certo o que escrevo - mas preciso. Sinto saudades do que não tenho e sinto muito pelos seres humanos. Eu jamais mergulharia dentro de um coração humanóide. Ainda prefiro os unicórnios, ainda prefiro...

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