
Gosto dos trejeitos sem graça dos teus lábios quando algo o incomoda, parece que dentro da saliva existe uma bala - e nesses tempos de clima quente e seco poderia ser de cereja, talvez? Corre! Não existe caminho fácil, mas se você é meia noite, o ponteiro estala ali para cima na hora certa - carrilhões não nos deixam mentir. Somos um Netuno propício quando convém - constelações desejando planetas. Nada de ilhas, bosques ou interrogações. O que eu digo está no balão labial do nosso terço de sanidade. Mas, lembre-se, meu bem tão bem, agora as palavras silenciam macieiras. Somos árvores, abelhas e pólem. Somos a selva daquilo que os cérebros não alcançam. Eu posso dizer "amor" - as palavras agora são minhas e insistem tão clara-mente que eu as inscrevam na nossa arcaica caverna que agora pega fogo. Loucos são os que evitam e verdadeiros são os que levitam... Te encontrei em algum céu dançando minhas notas - Lá, Sol. E “Lá” penetrei em suas mãos carregando o “Mi” que faltava com tantas cores a completar o meu quadro musical. Pincel, gotas, bocas - partes de um Pollock delirante. Somos agora a improvisação entre linhas e aspas. Somos o silêncio de uma pintura macia de verniz púrpura e sem moldura, pregados na parede do possível. Impossível é dizer que o vermelho que esbarra meu no peito não é somente seu. Impossível? Isso não existe! Mas existe você, e suas luvas de algodão estão carregando minhas notas, pincéis, tintas, pensamentos, noites e corpo...
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