segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Fluídos




Como entender sentimentos? Não são apenas para serem sentidos? Explicar o inexplicável caminho incessante do peito ao cérebro, do cérebro ao peito... Pensar sobre amor é apenas amar: é sentir fundo e esquecer do mundo. Descrever sensações tão mais lindas quando no silêncio do corpo se espalham, planejar deixar de sentir ou calcular o tempo de uma sensação, fórmulas e formas para controlar aquilo que nos controla como imã, tentar se enganar, fugir, correr, se esconder - o castelo está incrustado na pele, encantado, enorme e translúcido. A lucidez dos sentidos e sentimentos me apaixona, não há nada mais lúcido que estar em contato com aquilo que nos faz estar vivos. Amor não é uma equação matemática, é um rio fluindo e espalhando reações químicas pelas margens da alma. Cuidar dos sentimentos é colocá-los em um barco ao sereno, sob a luz do luar - vai, deixa ir, deixa estar... Estrelas, cometas, nuvens - tudo cientificamente banalizado - observar o movimento do universo com os olhos é como cegos tentando enxergar na escuridão de uma bolha. Tudo apenas faz sentido quando refletimos um pouco de nós no brilho daquilo que existe dentro e fora do nosso ser.

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