
Faz tempo, meu amor, desde a última vez que te vi. Achei que havia se mudado, ou até mesmo caído em gripe. Mas pelo que vejo, andas mais serelepe que nunca! Andou frequentando aulas de ballet? Aprendeu a dar saltinhos rebuscados! Mas tão descompassados, coitadinha. E como cresecu, menina! Acho até que - sem querer entristecer-te - passou da conta. Uma mocinha assim, tão rara, não pode alcançar certa altura. Façamos um trato? Contaram-me, certa vez, que quando fechamos os olhos e colocamos nos bolsos pensamentos de algodão, o mundo alegra-se e faz com que só as árvores crescam. Vamos, portanto, nos deitar? Já coloquei seus lençóis favoritos, colori três travesseiros e a cama está tão macia quanto núvens de açúcar. Guarde as sapatilhas para mais tarde, porque esse planeta estranho das horas, espera ancioso por mais algumas de suas danças - mas só em algum outro dia, moleca, um outro dia bem distante deste daqui.
Boa noite!
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