
Passageiros, recomenda-se o uso de música nesta viagem:
http://www.youtube.com/watch?v=VHk6clzLeMM
Uma porta de madeira maciça saltava aos olhos, imensa, não chegava ao céu porque lá estava, solene, imponente, guardiã das embarcações de nuvens lilás. Um piscar de olhos de verdade era a chave, e então ela se abriu, como se abrisse um espacate suave de bailarina. Não havia ruídos e nenhum sinal de vida humana, era apenas um abrir em meio a gotas de ar dançantes. Uma árvore de pétalas de rosa surgiu, azul, tão azul quanto os beijos de uma sereia. As pétalas eram feitas da seda mais pura e revelavam os segredos daqueles que as tocavam. Os dedos, hipnotizados, desejavam tateá-las, uma a uma, e envolver-se naquela transparência embriagante. O corpo já flutuava e seguia o curso do vento, um manto violeta fazia rodopiar, tão leve. Tudo lembrava os sonhos celestiais. As mãos, enfim, tocaram uma das pétalas, tão macia, tão delicada, seu aroma misturava amor com lichias silvestres. Uma imagem colocou-se à frente, pontos coloridos começaram a juntar-se e transformar-se em esfinges, no topo de uma delas - a única feita de cristal - dormia um relógio sem ponteiros ou números, era apenas um relógio de sol, mas o sol em seu centro jamais se punha. Que brilho! Raios e tempestades solares abraçavam as retinas e, carinhosamente, as aquecia. O tempo havia parado, as nuvens lilás agora faziam parte de um infinito sorriso de fluídos cintilantes. Nada mais podia alcançar tal sensação. Um lugar, um lugar, um lugar onde a vida valsava livre, onde as correntes eram feitas de ar, onde as nuvens exalavam eternidade e onde as árvores guardavam os mais lindos segredos entre mãos e pétalas de rosa.
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